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Economia

Um Brasil que luta para dar certo

O desempenho do PIB divulgado no início do mês passado indicou crescimento de 0,9% do primeiro para o segundo trimestre, sendo que é o oitavo resultado positivo consecutivo do indicador, nessa comparação

Públicado em 

01 out 2023 às 01:40
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Estamos nos aproximando do fim do ano em um cenário econômico bem melhor do que se imaginava tempos atrás, não há como negar. O desempenho do PIB divulgado no início de setembro surpreendeu positivamente, levando analistas e instituições financeiras a rever suas projeções. Resultados ainda longe do que sonhamos e distante do potencial do Brasil, sem dúvida, mas de todo modo é um panorama bem diferente do que se imaginava há um ano.
O desempenho do PIB divulgado no início do mês passado indicou crescimento de 0,9% do primeiro para o segundo trimestre, sendo que é o oitavo resultado positivo consecutivo do indicador, nessa comparação.
Analistas econômicos falam em resiliência da atividade econômica ou da força produtiva brasileira, independentemente da política partidária, dos embates ideológicos e dos gargalos que impedem um crescimento no padrão chinês ou indiano.
Os números mostram, em resumo, um Brasil empreendedor que insiste em dar certo, com resultados positivos na economia e também no campo institucional. Uma análise independente e equilibrada como a que buscamos fazer aqui constatará avanços.
No fim do ano passado, falava-se em crescimento abaixo de 1% neste ano. Agora já se fala em índice superior a 3%. Relatório do Santander divulgado dias atrás na imprensa mostra que o banco está revendo para cima as suas projeções, contando com crescimento de pelo menos 3,1%. O Goldman Sachs prevê 3,25% e o JP Morgan, 3% cravado. Não resolve a nossa vida após tantos anos de estagnação, mas sem dúvida é uma boa surpresa e um bom caminho.
No campo institucional, vemos avanços no sistema de freios e contrapesos da nossa jovem democracia, com o Congresso Nacional impondo limites às tendências de retrocesso sinalizadas pelo Executivo. Não foram poucas as vezes em que o Congresso impediu o avanço do atraso.
A autonomia do Banco Central, a preservação do marco legal do saneamento e da reforma trabalhista e a privatização da Eletrobras foram mantidas devido à pertinente atuação do Legislativo. Também foi decisiva a atuação de lideranças do Congresso na votação da reforma tributária, já aprovada na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, onde deverá ser votada até o fim de outubro, segundo estimativas do presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco.
A taxa de desemprego está em queda, na faixa dos 8%; a inflação se aproxima do centro da meta para este ano, fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional, e, com a devida autonomia, o Banco Central, avaliando o cenário, entendeu que era possível reduzir a Selic para 12,75%, na reunião de 20 de setembro – de novo: ainda longe da realidade com a qual sonhamos, mas temos avanços.
O novo equilíbrio de forças em Brasília e a independência do Congresso mostram o amadurecimento da nossa democracia, regime em que o país não depende exclusivamente da vontade do Executivo, sempre mais forte no Presidencialismo. Mas é preciso haver limites, e o Legislativo mostrou isso.
Cenas da cidade de Brasília. Na foto a Esplanada dos MInistérios.
Cenas da cidade de Brasília. Na foto a Esplanada dos MInistérios. Crédito: José Cruz/ Agência Brasil
Apesar dos avanços, no campo institucional vimos retrocessos lamentáveis no combate às organizações criminosas e à corrupção, especialmente no desmonte da operação Lava Jato, vítima de uma verdadeira operação abafa, que, neste caso, reuniu políticos de todas as correntes, da esquerda à direita. No combate à Lava Jato, não houve divergência ideológica.
De certo modo, com a triste contribuição de setores do Judiciário, a cúpula do poder em Brasília parece querer passar pano e fazer de conta que não houve corrupção. O dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que, em Brasília, “não há inocentes, todos são cúmplices”.
Há uma narrativa em construção segundo a qual tudo não passou de um grande erro judicial. Uma narrativa frágil que ignora o fato de que acordos firmados no âmbito da Lava Jato levaram empresas a devolver R$ 6,2 bilhões aos cofres da Petrobras, dinheiro suficiente para fazer uns 10 aeroportos como o de Vitória. Vemos o trabalho de anos e anos de elucidação de crimes se esvaindo nessa grande operação abafa.
Na política internacional, o afago a regimes autoritários como Cuba e Venezuela dificultam uma relação mais próxima com os Estados Unidos e a Europa. Isso nos fragiliza.
Podemos observar ainda duas grandes forças em confronto no Brasil. Esperamos que vença a corrente que quer construir um país com mais oportunidades para a sua população, que promova a educação de qualidade e profissionalizante, com mais oportunidades de emprego e renda, melhores serviços de saúde e infraestrutura competitiva, com segurança jurídica, juros e inflação baixa e maior potencial para atrair investimentos.
Vemos no horizonte grandes oportunidades para o Brasil. Durante os últimos dias, participei de encontros como o Meeting de Lideranças promovido pela Findes, em Pedra Azul, e o J. Safra Brazil Conference 2023, do Banco Safra. Temos uma enorme janela de oportunidades com a transição energética para uma economia de baixo carbono e com a reorganização das cadeias globais de produção valorizando o nearshoring, ou o comércio com maior foco em países vizinhos. Mas isso é assunto para outro artigo.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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