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Economia

PIB do ES: indo além do que nos mostram os grandes números

A questão central que se coloca é que no caso específico das indústrias extrativas parte significativa do componente excedente operacional necessariamente tem destinação no território onde são produzidos os produtos

Públicado em 

23 set 2023 às 00:30
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Enquanto as atividades econômicas no âmbito nacional registradas no mês de julho e expressas no IBC-BR, que funciona como um “proxy” do PIB, surpreendem o mercado, no Espírito Santo não aparenta ser diferente. Comércio e serviços, que representam cerca de 68% do PIB capixaba, vêm surpreendendo em desempenhos no primeiro semestre do ano, porém não o suficiente para amenizar o fraco desempenho do setor industrial.
Existe uma prática em análises de dados que me é cara, sobretudo econômicos, pois resultam de comportamentos tipicamente humanos e necessariamente não tão racionais, de que números, para que possamos entendê-los melhor, devem ser estressados ao máximo. Números, que normalmente chamamos de dados mostram evidências na dimensão quantitativa, mas que para extrairmos dessas informações que nos sirvam para uma análise mais acurada precisamos ir além das aparências.
E em se tratando da economia capixaba, tenho dito repetidamente em meus artigos, temos que sempre estar mergulhando para além do que nos mostram os grandes números. Aliás, para começar o que denominamos de PIB – Produto Interno Bruto, que nada mais é do que um conglomerado de números. Um agregado que pouco nos diz a que vem. Interessa-nos sim a sua morfologia, usando aqui uma analogia ao estudo das palavras nas suas estruturas e formações.
Em 2010, por exemplo, o PIB capixaba deu um salto fantástico de 15%, e isso em termos reais, ou seja, retirando-se o efeito da inflação. Nem a China em tempos áureos chegou a tanto. Dois fatores determinantes geraram esse evento fora da curva. O primeiro diz respeito à base utilizada para o cálculo do número: 2009. Nesse ano o PIB havia caído 7,6%. Portanto, temos aí o efeito base de cálculo. Mas é na análise “morfológica”, termo tomado com a devida liberdade, que nos interessa mais.
E nesse aspecto, o que sobressai como elemento-chave a determinar o ritmo e o tamanho do PIB são as atividades das indústrias extrativas. Essas contemplam as atividades de extração de petróleo e processamento de minério de ferro, que em 2010 respondiam por 20% do PIB capixaba, vindo de uma participação de 10% em 2009. Em 2012 atingiu cerca de 26%. Um número muito significativo tendo em vista que em nível nacional o segmento participa com apenas cerca de 4%.
Mas, para entendermos melhor a dinâmica da economia capixaba, temos que sair da “morfologia” do PIB pela ótica do produto e passar para a “morfologia” do PIB pela ótica da renda gerada. Aí vamos poder ver como essa massa de riqueza gerada sob a forma de valor adicionado é de fato distribuída. É onde vamos encontrar explicações para o fenômeno do descolamento do PIB, visto na superfície, da massa de rendimento disponível para gastos e de indicadores de consumo final.
Samarco
Mineradora Crédito: Carlos Alberto Silva
O valor adicionado é distribuído em três grandes componentes: Remuneração e Previdência, Impostos, excedente operacional bruto e rendimento misto. O último componente corresponde a lucros e rendimentos outros que não salário. Compõe a maior parcela, variando nos últimos 12 anos entre 50% e 60%, na média geral. Mas, no caso das indústrias extrativas, essa participação pode chegar a patamares bem mais elevados e numa dispersão maior, a depender principalmente de preços, mas também de quantidades.
A questão central que se coloca é que no caso específico das indústrias extrativas parte significativa do componente excedente operacional necessariamente tem destinação no território onde são produzidos os produtos. O que deve ser tomado como natural, dadas as dimensões e características dos operadores e operações que são feitas localmente. É o que explica o fato de um incremento de 15% do PIB – ótica do produto – necessariamente não produzir igual efeito sobre a massa de renda, emprego e consumo locais.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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