Tenho afirmado por várias vezes aqui neste espaço que a constituição estrutural e a formação da riqueza capixaba, ou seja, do que normalmente denominamos de PIB, demanda certos cuidados. Isso principalmente por conta de características que lhes são bem peculiares. Bem próprias de uma economia que tem sua base produtiva fortemente vinculada à produção de commodities e a mercados extra território, internacional e nacional.
Em síntese, vale a afirmação de que quando a economia internacional vai bem, a economia capixaba também vai bem. Mas vai bem melhor quando temos um bom crescimento externo combinando com o crescimento também bom da economia nacional. Uma combinação que não vemos acontecer nos últimos dez anos.
Observando as evoluções da economia nacional e capixaba vamos ver que tivemos dois períodos caracterizados como de recessão mais profunda. O primeiro deflagrado a partir de 2014, mas com efeitos mais intensos em 2015 e 2016. Talvez a maior recessão da história econômica do país. O segundo, em decorrência da pandemia, com queda acentuada das atividades econômicas centradas em 2020. Nos dois casos em questão a economia capixaba teve um desempenho pior do que a economia nacional.
Nos últimos quatro anos temos observado uma dissincronia acontecendo em períodos mais curtos. Entre o segundo trimestre de 2019 e segundo trimestre de 2021 a economia capixaba apresentou desempenho pior do que o nacional. Já nos demais trimestres de 2021 ao terceiro trimestre de 2022, a retomada da economia capixaba se mostra mais forte. Porém, perde novamente dinamismo e tem desempenho pior do que a média nacional a partir do terceiro trimestre de 2022.
É importante lembrar e ressaltar que estamos até aqui analisando a dinâmica da economia pela ótica da oferta de produtos e serviços. A leitura pode mostrar certas particularidades se analisarmos a dinâmica econômica pelas outras duas óticas, a da massa de renda e dos gastos das famílias. Em 2022, por exemplo, enquanto o PIB – ótica do produto – cresceu 1,9%, a massa de renda 9,3%. Não foi diferente em 2023, quando no primeiro semestre o PIB cresceu 2,5% e os volumes de vendas no varejo ampliado e serviços saltaram cerca de 9%.
E aí eu ousaria afirmar que sob essas duas outras óticas a dinâmica interna, representada pela massa de renda e emprego, tende a ser inelástica – sofre pouca variação - em relação ao PIB, pela ótica da oferta, gerado pelo setor exportador, e elástico em relação ao PIB gerado pela produção interna. O que pode explicar um certo descolamento entre o PIB – ótica da oferta/produto – e os indicadores do comércio e serviços. Mas essa questão merece mais explicações.