O anúncio, nesta semana, do desempenho do PIB trimestral capixaba relativo ao primeiro trimestre do ano, calculado pelo IJSN em parceria com o IBGE, nos dá uma noção da toada seguida pela economia. No geral podemos vislumbrar notícias boas, mas outras nem tanto.
A notícia boa é que o PIB capixaba começou o ano demonstrando vigor, crescendo 4,5% em relação último trimestre. A notícia preocupante é que a indústria de transformação não engrenou o suficiente para inverter a curva em queda já sinalizada no final de 2022.
No final de 2022, predominava a percepção de que teríamos um ano difícil e de baixo crescimento em 2023. Isso tanto para o país, quanto para o Espírito Santo. As expectativas convergiam para uma média que não ultrapassava 1% para o Brasil. Expectativas que parecem, hoje, não se sustentarem diante do relativo bom desempenho neste primeiro semestre. Em especial para o Espírito Santo, que vinha de quedas sucessivas nos dois últimos trimestres.
Um crescimento de 4,5% para a economia do Espírito Santo, sem dúvida, é bem significativo, observado o histórico mais recente. E a boa notícia vem do fato de contar com forte contribuições de dois setores, que juntos, são responsáveis por cerca de 58% de toda a riqueza produzida, serviços, com 8,8%, e comércio varejista, com 9,9%. Esses dois setores funcionam como termômetro do nível das atividades econômicas, pois é para onde flui a massa geral de renda disponível.
Pelo perfil da agropecuária capixaba, menos dependente de commodities como a soja e milho, como é nacionalmente, o primeiro semestre sempre tem apresentado tendência de baixa, tipicamente sazonal. À exceção da pimenta, que apresentou um pequeno crescimento, 1,6%, enquanto os cafés conilon e arábica registraram baixas. Tendência que deverá ser revertida no decorrer do ano, pela ordem natural das coisas.
A preocupação, no entanto, ainda persiste no caso da indústria em geral, mas mais especificamente com a indústria de transformação, que começou o ano com queda, no geral, de 2,9%, e na indústria de transformação de 11,5%. Esse setor é crucial para o desenvolvimento do estado, pois é dele que se espera maior contribuição na agregação de valor, em inovação, desenvolvimento tecnológico e em termos de ganhos de complexidade econômica.
Mesmo assim, vale confirmarmos o otimismo em relação ao futuro, dadas as condições e oportunidades que o Espírito Santo tem a oferecer.