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Economia

Sonho grande de empresários gera riqueza para todos

São as empresas que geram empregos e impostos para que o poder público possa prestar serviços de saúde e educação. Parece óbvio? Bem, nem sempre os empresários são devidamente reconhecidos

Públicado em 

21 mar 2021 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Sede da Suzano, em Aracruz
Sede da Suzano, em Aracruz Crédito: Suzano/ Divulgação
“No final, tudo que você tem que fazer é fechar os olhos e pular”. Esse foi o conselho que Erling Lorentzen ouviu de um amigo, quando estava em dúvidas sobre investir no Brasil. E ele contou que isso foi decisivo para a criação da Aracruz Celulose, hoje Suzano.
Escolhi a mensagem desse empresário extraordinário para destacar o que significa ser um empreendedor, no Brasil e no mundo. Quando Lorentzen planejava a empresa, nos anos 70, o presidente Geisel chegou a questionar se valia a pena apoiar “esse louco norueguês”.
Visionários são comumente visto como loucos. Agora, observem o desenvolvimento que essa indústria trouxe para a cidade de Aracruz e para a sua população, que saltou de 25 mil habitantes para mais de 100 mil atualmente.
Hoje o município possui a 8ª maior receita total do Estado, sendo a 4ª em ISS. Uso esse exemplo para mostrar a relevância do empreendedor para a geração de riquezas para toda a sociedade.
Lorentzen, Eliezer Batista, Helmut Meyerfreund, Américo Buaiz, Jônice Tristão e Otacílio Coser, entre tantos outros visionários que nos deixaram nos últimos anos, construíram um legado para as gerações que se seguiram.
Vila Velha cresceu abraçando a GarotoPedra Azul está se tornando um destino nacional. A Vale tornou-se uma das maiores mineradoras do mundo. O Espírito Santo hoje é o maior produtor de conilon do Brasil. Se fosse um país, perderia apenas para o Vietnã e o próprio Brasil.
Essas conquistas são resultado de empreendedores. São as empresas que geram empregos e impostos para que o poder público possa prestar serviços de saúde e educação. Parece óbvio? Bem, nem sempre os empresários são devidamente reconhecidos. Atualmente, muitos vão além de suas atividades originais, financiando ações nas áreas de educação, meio ambiente e saúde país afora.

MICRO E PEQUENOS EMPREENDEDORES

Estamos falando dos grandes, mas quero destacar também a importância dos micro e pequenos, que representam 99% do total de empresas do país, como mostra pesquisa do Sebrae. E são os que mais geram emprego com carteira, somando 54% dos empregos formais.
Todo empresário começa pequeno, mas com sonho grande – aliás, “Sonho Grande” é o título do livro sobre a trajetória de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, trio que revolucionou o capitalismo brasileiro.
"Sonhe grande, pois ter sonhos grandes dão o mesmo trabalho dos sonhos pequenos", diz Lemann. "Todos os nossos sonhos podem-se realizar, se tivermos a coragem de persegui-los", dizia Walt Disney, que começou a vida produzindo cartazes de propaganda de filmes.
Se os pequenos não tiverem o devido apoio, serão menores as possibilidades de sobreviverem e escreverem histórias edificantes como as mencionadas. Neste momento crucial de pandemia, esse apoio tem de ser rápido e abrangente – crédito, postergação de impostos, compartilhamento de despesa, dispensa de burocracia – para que sobrevivam.
Precisamos de ações concretas para simplificar o ato de empreender e, acima de tudo, de valorizar o empreendedor. Isso vale para o poder público e a sociedade. É estimulando uma geração com essa vocação que vamos realmente construir um Brasil mais justo.
Precisamos enfrentar o preconceito contra o empresário, com uma sociedade que valorize o sucesso. Tom Jobim dizia que sucesso no Brasil era ofensa pessoal. Será que não mudamos?

A ARTE DE EMPREENDER

Empreender é uma arte. É você ter uma ideia e compreender como ela pode ser desenvolvida e percebida como valor pelos clientes. Depois, é materializar o sonho com a criação da empresa e da marca. E adquirir equipamentos, contratar e qualificar equipe, identificar fornecedores, comprar insumos, produzir, vender, documentar todo esse processo, observar as exigências legais nas mais diversas frentes (ambiental, tributária, trabalhista), e organizar arquivos e ter tudo à mão para eventual fiscalização. Que certamente virá, e com frequência com abordagem hostil. É essa cultura da burocracia e da hostilidade que precisamos mudar.
A materialização de uma ideia em um produto ou serviço é que faz a humanidade avançar, e quem faz isso é o empreendedor. É ele que busca as novas soluções para as demandas da sociedade.
Precisamos facilitar o empreendedorismo e abrir caminhos para que capixabas e brasileiros possam materializar seus sonhos e gerar novas oportunidades.
Devemos, enfim, permitir que as nossas crianças sonhem grande, para que possamos contar com mais Lorentzens, Disneys ou Lemanns. Talento nós temos, só precisamos permitir que se desenvolvam.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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