O movimento empresarial Unidos pela Vacina, lançado na última segunda-feira (8) pela empresária Luiza Trajano, dona da Magazine Luiza, foi bem recebido e deve contar com apoio dos empresários do Espírito Santo. A iniciativa tem como objetivo agilizar a vacinação dos brasileiros contra a Covid-19 até setembro, respeitando os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
A ideia da empresária, para reativar a economia brasileira, é apoiar o Sistema Único de Saúde (SUS) com soluções de logística e compra de insumos, como seringas e agulhas, mas sem a aquisição direta de vacinas.
Empresários do ES apoiam movimento de Luiza Trajano pró-vacina
“É muito importante esse movimento empresarial de apoio à vacinação. Na Findes, temos feito um trabalho em conjunto com a CNI, para unir esforços e não dispersar energias”, complementa a empresária Cris Samorini, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
O superintendente do Sesi e diretor regional do Senai, Mateus de Freitas, avalia que este é um movimento positivo e que agrega diversas empresas pelo país, incluindo as do Espírito Santo. Segundo ele, quando o empresariado se une, os resultados se tornam ainda mais positivos.
“Sabemos que será necessária uma quantidade grande de doses e toda aliança que tivermos para acelerar esse processo vai ajudar a poupar vidas e agilizar o processo de aceleração econômica”, ressalta Freitas.
Ele pontua que a Findes já se colocou à disposição da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) para ajudar no que for preciso no combate à doença. A entidade apoiou ainda outras iniciativas como reparação de respiradores e manutenção de macas e camas hospitalares, além de realizar campanhas para doação e recolhimento de alimentos.
“O movimento Indústria do Bem, desde março passado, tem buscado diversas ações para aliviar os efeitos da pandemia, colocando a vida das pessoas em primeiro lugar. Durante toda a crise sanitária, houve grande mobilização da indústria. Agora, o principal recurso é a vacinação e a imunização em massa. Há um mês, a presidente Cris Samorini, colocou à disposição do governo estadual toda a estrutura do Sesi e Senai, incluindo as unidades móveis, para acelerar o processo de vacinação”, destaca.
Para o empresário do varejo, José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomécio-ES), a iniciativa do movimento Unidos pela Vacina é muito boa, apesar de as doses não estarem sendo disponibilizadas para serem compradas por empresas privadas.
“Estamos de acordo em proporcionar a vacinação para toda a população, pois essa é a oportunidade que temos para que a economia volte a crescer. Damos total apoio a esse movimento. Com a união de todos, vamos superar esse momento difícil. A vacina, por enquanto, é a única forma de prevenção, já que ainda não existe medicação para evitar a doença”, ressalta.
Assim como ocorre em outros países, ainda há carência na produção da vacina. Os laboratórios de todo o mundo precisam produzir, em um curto prazo de tempo, milhões de quantidades do imunizante. Sepulcri salienta que as unidades do Sesc e Senat estão disponíveis para auxiliar na vacinação.
Na avaliação do presidente do Sindicato da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Paulo Baraona, ainda acha cedo afirmar que a vacinação em massa vai ocorrer até setembro.
“A dificuldade maior está na produção e na compra das vacinas e esse é um problema enfrentado por diversos países. É importante não gerar essa expectativa de imunização em massa em um curto prazo de tempo, pois diversos fatores podem interferir nesse objetivo”, avalia.
O grupo Unidos pela Vacina, liderado por Luiza Trajano, está terminando de angariar nomes para apoiar a campanha, que terá forte movimento de divulgação. A ideia do movimento é incluir empresários e entidades de classe. A proposta é aplicar a vacinação de uma parte significativa da população - entre 60% e 70% - até setembro. Líderes de empresas como Suzano, Gol, Whirlpool e Volkswagen já teriam aderido à mobilização.
No final de janeiro, empresas privadas tentaram negociar com o governo uma autorização para importar 33 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca. A movimentação, entretanto, foi frustrada após a fabricante negar que venderia para o setor privado e a repercussão negativa da opinião pública.