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Política e economia

A indignação diante de uma crise contratada no Brasil

Mais do que nunca, precisamos que os políticos honrem seus votos, que façam as mudanças que precisam ser feitas, que enfrentem os debates necessários

Públicado em 

07 mar 2021 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Com pandemia do coronavírus, diversas economias no mundo vão enfrentar crise e recessão
Vem aí uma ressaca, uma grande crise. Por tudo que se vê, me arrisco a afirmar que já ela está contratada Crédito: Freepik
Não é fácil para mim escrever este artigo. Por natureza, sou otimista. Procuro achar sempre o lado positivo dos fatos, mas o atual momento da política no Brasil tem abusado do meu otimismo e gerado uma profunda indignação. Vem aí uma ressaca, uma grande crise. Não sei exatamente quando nem com qual intensidade, mas, por tudo que se vê, me arrisco a afirmar que já ela está contratada.
Vejam a nossa dramática realidade: crescimento consistente da inflação; desemprego estabilizado em um patamar altíssimo há anos; recrudescimento da pandemia, com sucessivos recordes de mortes, expondo a chaga da saúde pública brasileira; atraso na compra de vacinas e politização de uma questão estritamente sanitária; “bate-cabeça” entre os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário - sem avanços na antiga agenda de reformas; ausência de liderança equilibrada para conduzir e unificar o país neste momento de desafios gigantescos; déficit fiscal batendo recorde; intervenções populistas em empresas estatais que há tempos deveriam ter sido privatizadas; tentativas de tabelamento de preços dos fretes, contrariando a lei da oferta e da procura; desconstrução de movimentos relevantes para reduzir a corrupção; jovens desnorteados por interrupções nas atividades escolares, com ampliação absurda da dificuldade de inserção no mercado de trabalho; líderes globais olhando para o próprio umbigo em vez de pensar globalmente.
Vemos um “salve-se quem puder” praticado por países que deveriam liderar e inspirar um comportamento equilibrado.
Mas a pergunta que fica é: e agora? Por que não resolvemos essas questões que se arrastam há décadas? Falta competência? Vontade política? Seria apenas egoísmo? Ou cinismo? Quem poderia mudar esse quadro? Existiria solução mágica? Por que não resolvemos até hoje pendências históricas como as reformas estruturais? Por que polarizar um país? Quem ganha com isso? Por que criar novos problemas quando já temos tantos para resolver?
Uma coisa é certa: quem sempre perde é o brasileiro, em especial os menos favorecidos. Os mais pobres sofrem primeiro com a inflação, com um sistema de saúde precário, com a falta de saneamento básico, com o ensino sem qualidade para seus filhos, com a fome. E não estamos falando de uma minoria: mais de 120 milhões de brasileiros dependem do Bolsa Família, e 27 milhões de trabalhadores vivem com um salário mínimo. A pandemia desnudou e agravou um quadro que já era dramático.
Na outra ponta da estatística, agora teremos a notícia de que o Brasil não está mais entre as 10 maiores economias do mundo: acabamos de cair do 9º para o 12º lugar. Isso é estatística nobre, mas a tradução significa que geramos menos renda, e quem gera menos não tem como distribuir mais.
Voltando às perguntas iniciais, resta apenas uma resposta: quem tem a solução neste momento é a política e os (as) políticos (as)! Somos uma democracia, graças a Deus, e esses profissionais escolheram ingressar na vida pública. Decidiram ser candidatos, disputaram eleições, foram eleitos. Agora têm o dever de nos liderar nos caminhos corretos.
A sociedade civil organizada pode participar dos debates para a busca de soluções, mas a autoridade para decidir, dentro das regras democráticas, é deles. Mais do que nunca, precisamos que os políticos honrem seus votos, que façam as mudanças que precisam ser feitas, que enfrentem os debates necessários, que enfrentem as corporações para que possamos deixar de ser um país de grupos privilegiados.
Que os políticos lutem, enfim, pelos 210 milhões de brasileiros, e não por grupos de interesses menores. E que o façam buscando a união, a convergência, e não protagonismos isolados. As decisões na administração pública devem ser tomadas com base em conhecimento específico, em fatos e dados, com respeito às instituições democráticas, e não com base em crenças ou palpites.
Vale ressaltar que temos, sim, bons representantes na política, mas aparentemente estão em ínfima minoria. Espero estar equivocado na afirmação inicial, mas acima de tudo espero que o país possa ter uma classe política que nos orgulhe e nos guie para uma sociedade mais próspera, equilibrada e justa.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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