Passada a disputa eleitoral, é hora de o Espírito Santo e o Brasil retomarem as agendas de trabalho, deixando para trás a polarização que marcou os últimos meses e mobilizou as lideranças do país. A hora é de distensionar o ambiente político e focar na agenda dos próximos quatro anos, como sugeriu o próprio governador Renato Casagrande ao comemorar a sua reeleição.
O Espírito Santo tem uma vantagem adicional no atual cenário político: depois de longos anos, o Estado volta a ter um alinhamento político maior com Brasília, o que poderá facilitar as nossas demandas na área de logística e infraestrutura, que dependem decisivamente do governo federal.
Entre as prioridades, podemos citar a duplicação das BRs 101 e 262, a consolidação do Corredor Centro-Leste, a construção de um gasoduto no Sul do Estado, para trazer o gás do pré-sal, obra que naturalmente vem sendo disputada também por outros Estados produtores. Todas essas frentes são de extrema relevância para a competitividade e o desenvolvimento do Espírito Santo e do Brasil.
A Petrobras é um capítulo à parte. No final do ano passado a empresa anunciou seu plano quinquenal de investimentos até 2026, num total de US$ 68 bilhões em todo o país, valor 24% superior ao plano anterior. Um dos principais projetos para o Espírito Santo prevê a operação de um navio-plataforma no campo de Jubarte, no Litoral Sul, investimento estimado em R$ 5,6 bi.
Os investimentos da Petrobras devem ser acompanhados com lupa pelo Estado, pelo grande impacto que podem ter na economia local, lembrando que somos o terceiro maior produtor de petróleo e gás do país, com uma cadeia cada vez mais competitiva e eficiente, o que nos credencia a reivindicar investimentos locais compatíveis com o nosso potencial.
No atual rearranjo político e institucional do país, outro grande parceiro do Espírito Santo é Minas Gerais, que reelegeu o governador Romeu Zema. Apesar de terem estado em campos opostos na disputa presidencial, os governadores Zema e Casagrande têm mantido excelente diálogo nas agendas de interesse comum dos dois Estados, notadamente no Corredor Centro-Leste. As lideranças políticas e empresariais de Minas e do Espírito Santo têm se dedicado nos últimos anos a viabilizar os investimentos para consolidar o corredor, contando com os governadores, as bancadas federais e as Federações das Indústrias dos dois Estados.
Já abordamos a importância do Corredor Centro-Leste há algum tempo neste espaço. As lideranças de Minas e do Espírito Santo têm defendido investimentos no contorno da Serra do Tigre (MG), trecho que é necessário para melhorar a conexão da malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) com a da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e, assim, consolidar o corredor.
Estudos da Findes, já apresentados ao governo federal, indicam que temos novas estruturas portuárias em implantação no Estado, com investimentos privados de ordem de R$ 10 bilhões, incluindo os portos Petrocity, Barra do Riacho, Imetame, Vitória, Capuaba, Ubu e Porto Central. Com isso, teremos um movimento adicional de 40 milhões de toneladas de produtos como petróleo, granéis sólidos, incluindo os agrícolas, gás natural e liquefeito, carga geral e conteinerizada, mais que justificando, portanto, a importância do investimento para a economia do ES e do país.
Por fim, uma agenda que o Estado pode executar sem aguardar o governo federal é acelerar a implantação do novo ensino médio profissionalizante, previsto na Lei nº 13.415/2017. Um estudo publicado no Valor Econômico na semana passada mostrou que faltam habilidades básicas nas áreas de leitura, ciência e matemática para nada menos que 66% dos jovens de 15 anos no país.
O levantamento, realizado pelas Universidades de Sanford e Munique e pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ifo), também de Munique, analisou 159 países e constatou que o Brasil está atrás de países como Chile (47%), Uruguai (51%) e Colômbia (63%).
Assegurar educação de qualidade e formar mão de obra é uma medida prioritária para garantir a inserção dos jovens no mercado de trabalho e, na outra ponta, avançar na produtividade da nossa economia.
Os desafios são conhecidos. Todos nós podemos agora desempenhar um papel relevante na sociedade para fazer andar essas agendas. Não temos mais tempo para ser o país do futuro ou para procrastinar decisões que precisam ser tomadas de imediato, enfrentando o corporativismo e os interesses paroquiais que nos aprisionam no subdesenvolvimento.
Precisamos fazer do presente o momento do respeito, do diálogo, da igualdade, da prosperidade pelo mérito, da valorização de quem quer fazer e faz. É o que esperamos.