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Pós-eleição

Brasil 2023: o fim da era dos governos passivos

Nas próximas semanas devemos nos preocupar com o nosso futuro na educação, ciência e tecnologia e política industrial, para garantir um novo ciclo de desenvolvimento, que não seja um voo de galinha

Públicado em 

09 out 2022 às 00:15
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

O Brasil saiu das urnas bem dividido, e daqui a três semanas elegeremos o presidente da República que governará a partir de janeiro de 2023. E qual é o país que desejamos? E o Espírito Santo? É preciso que a agenda de debates contemple a redução do custo Brasil e a retomada de um ciclo sustentado de crescimento econômico.
Um estudo realizado pelo Conselho de Política Industrial da CNI, o Copin, do qual sou presidente, mostra que a pandemia e a guerra abalaram as cadeias globais de suprimentos e provocaram mudanças estruturais na ordem econômica internacional. E o Brasil precisa se atualizar.
De forma bem direta: acabou a era dos governos passivos. Nas principais economias do mundo, os governos assumiram o protagonismo e lançaram pacotes trilionários de apoio e incentivo à indústria, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, reorganizando suas estruturas produtivas.
Alguns exemplos: os EUA lançaram um pacote de US$ 1,7 trilhão para investimentos em estradas, pontes e ferrovias. Há um pacote adicional de US$ 280 bi exclusivamente para a incentivos à indústria de semicondutores.
A Alemanha lançou um plano de US$ 200 milhões exclusivamente para a indústria 4.0. Sua nova política industrial tem como pilares melhorar o ambiente político para o setor, considerando impostos e taxas; fortalecimento de novas tecnologias e mobilização de capital privado.
A China está investindo mais de US$ 600 bi na próxima geração de TI, em máquinas de robôs de controle numérico, equipamentos de aviação e aeroespacial, além de biomedicina, equipamentos médicos de alta performance e máquinas agrícolas.
E nós, no Brasil? Nas próximas semanas devemos nos preocupar com o nosso futuro na educação, ciência e tecnologia e política industrial, para garantir um novo ciclo de desenvolvimento, que não seja um voo de galinha.

ESTADO FORTE

O economista da Unesp Carlos Cinquetti, em artigo publicado no Valor Econômico dias atrás, observou que as economias desenvolvidas atualmente dependem de um Estado forte para garantir leis e contratos, e que devolva os tributos em forma de infraestrutura adequada e mão de obra qualificada. Cresce no mundo a importância das instituições domésticas, com um ambiente favorável aos investimentos.
Por isso torna-se urgente que o próximo presidente, qualquer que seja, se comprometa com reformas estruturais, que possibilitem a preparação do terreno para o crescimento econômico, com foco especial na reforma tributária, nos moldes da PEC 110/2019, que está há anos em debate e que se encontra pronta para ser apreciada.
No primeiro turno, um dos candidatos mencionou o “momento mágico” de todo mandato: os primeiros seis meses de governo, quando o presidente ainda está em lua de mel com o eleitor e com o Congresso, no auge do prestígio, com capacidade de liderança para aprovar medidas necessárias. Precisamos aproveitar essa “janela”.

ESPÍRITO SANTO

No Espírito Santo, esperamos ver nos primeiros 100 dias uma revisão do modelo de licenciamento ambiental, para garantir uma análise técnica em tempo hábil, uma agenda ESG ativa, além de avanço em políticas de incentivo à inovação e ao empreendedorismo, com mais liberdade econômica.
O Estado precisa de uma agenda clara e ambiciosa de governo digital, que possa ofertar serviços cada vez melhores aos cidadãos, com custo mais baixo e soluções na ponta do dedo, no celular.
Uma agenda de desenvolvimento estadual precisa também de formação de capital humano, em especial mão de obra técnica; diversificação da economia com alto valor agregado, que gere emprego de qualidade e bem remunerado, e uma parceria federal, incluindo total alinhamento com a bancada em Brasília, para resolver nossas pendências na infraestrutura.
O mundo está passando por transformações rápidas, e as economias desenvolvidas da Europa, EUA e Ásia estão se movimentando. Nós já perdemos muito tempo. Precisamos correr atrás o quanto antes, aproveitando o momento mágico pós-eleições.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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