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Educação

Precisamos andar mais rápido com o ensino profissionalizante

Especialistas sustentam que o avanço do ensino técnico profissionalizante no Brasil poderia contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do país, com aumento de produtividade, redução das desigualdades e novas oportunidades para os jovens

Públicado em 

05 jun 2022 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

A dificuldade para contratar mão de obra qualificada é uma queixa recorrente no meio empresarial, na indústria ou no comércio, em pequenos e grandes negócios. É o que se chama de apagão de mão de obra. No Espírito Santo, precisaremos qualificar 179 mil trabalhadores para ocupações industriais nos próximos 3 anos, até 2025. Dá para reduzir bem o desemprego no Estado, se conseguirmos fazer esse match.
Espírito Santo tem hoje cerca de 230 mil desempregados. Mas estarão eles devidamente preparados para as novas vagas que surgirem? E para as atuais? Esse é o desafio que precisamos enfrentar, unindo empresas, governo e academia – basicamente as hélices que movem a inovação, que precisa também chegar à formação para o mercado de trabalho.
Os dados sobre qualificação foram divulgados no fim do mês passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no Mapa do Trabalho Industrial.
As áreas no Estado com maior demanda por formação são transversais, ou seja, aquelas que permitem ao profissional atuar em diversas áreas, como técnico em segurança do trabalho, programação e apoio em pesquisa e desenvolvimento. Também há demandas em áreas como logística, transporte, construção, metalmecânica e alimentos e bebidas.
Em todo o Brasil, são 9,6 milhões de trabalhadores que precisarão se atualizar. O Senai/Findes tem dado contribuição importante para a formação da mão de obra industrial. Aqui no Espírito Santo, fomos pioneiros no país ao participarmos do projeto-piloto para implantação do Novo Ensino Médio, que foi aprovado por lei em 2017.
Logo em 2018, o Senai-ES participou do piloto para a implantação do chamado Eixo V, com formação técnica e profissional, ao lado de outros Estados como Goiás, Bahia e Ceará.
Atualmente, o Sesi oferece em parceria com o Senai sete cursos técnicos dentro desse modelo, incluindo formação em Biotecnologia, Mecânica, Rede de Computadores e Jogos Digitais, oferecidos em dez unidades escolares do Sesi/Senai.
Precisamos, porém, de um esforço muito maior, mobilizando todos. A escassez de mão de obra limita a nossa produtividade e o próprio crescimento econômico. No Brasil, somente 11% das vagas do ensino médio estão conectadas à educação profissional e tecnológica, contra uma média de 40% dos países da OCDE.
Professor de economia da Universidade de Zurique, Guilherme Lichand avaliou, em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, que o Brasil precisa mudar a forma como enxerga o ensino técnico: “Há uma visão de que é algo inferior. Não é assim na Europa, onde mais da metade vai para o ensino técnico e somente 20% ou 30% vão para o superior”.
Especialistas sustentam que o avanço do ensino técnico profissionalizante no Brasil poderia contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do país, com aumento de produtividade, redução das desigualdades e novas oportunidades para os jovens.
Doutor em Economia Política pela Universidade de Harvard, o professor Guilherme Lichand ressalta o desafio do setor público brasileiro para fazer a migração do sistema atual para o modelo europeu, com ampliação do ensino profissionalizante, num país em que 80% dos alunos do ensino básico estão na rede pública.
Uma alternativa é a compra de sistemas de ensinos profissionalizantes, alternativa que o Estado já pratica, mas pode aumentar a potência dada a demanda existente por esses profissionais e a oferta que existe na rede privada. “É preciso definir uma agenda de país e estabelecer um pacto social entre setor público e privado”, defende o professor.
No Brasil, as antigas escolas técnicas, hoje Ifes, cumprem um papel relevante nessa formação. O reitor do Ifes no Espírito Santo, Jadir Pela, defende também maior cumplicidade entre o setor produtivo e a academia. As empresas podem sinalizar em tempo hábil qual a demanda e os perfis necessários num horizonte de 2 a 5 anos e atuar em conjunto na formação profissional.
A Alemanha, lembra o reitor, é uma referência mundial no sistema dual, que busca aliar teoria e prática no ensino. Grandes empresas como Bosch ou Volkswagen estabelecem parcerias e remuneram os profissionais em fase de formação.
Tudo isso, contudo, depende de políticas públicas, para direcionar os esforços, como nas hélices que movem a inovação: empresas, governos e academia. Sem mencionar o desafio adicional da indústria 4.0.
Na semana passada a Findes inaugurou o Observatório da Indústria do ES e em paralelo a CNI inaugurou o Observatório da Indústria Nacional. Esses equipamentos podem ser um elo para cumprir o papel da previsibilidade da demanda com a indução da oferta.
O presidente da Airbus Brasil, Gilberto Peralta, líder de um grupo de trabalho da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), alerta que já estamos caminhando no mundo para a indústria 5.0, com inteligência artificial. “Temos que andar de mãos dadas com o governo para direcionar os recursos que existem”, disse ele em recente entrevista.
O Espírito Santo, reconhecido nacionalmente pela gestão fiscal e pela nota A no Tesouro Nacional, pode também virar referência para o país no avanço do ensino profissionalizante.
Se temos condições econômicas e já demonstramos competência na gestão financeira do Estado, por que não perseguir com maior ênfase os índices da OCDE na formação dos alunos no ensino médio profissionalizante? Esse caminho certamente nos levará à geração de novas oportunidades para a nossa juventude e nosso futuro.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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