Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Avanços da ciência

Uma vacina para acne

Pesquisas com tecnologia de RNA mensageiro apontam para uma possível vacina contra a acne, mas o ceticismo em relação às vacinas e desafios científicos ainda são obstáculos no caminho

Publicado em 09 de Outubro de 2025 às 03:00

Públicado em 

09 out 2025 às 03:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

A acne, definida popularmente como “as espinhas” que se espalham nas faces de adolescentes, vem deixando de ser considerada uma questão puramente cosmética que caracteriza o rito de passagem para a idade adulta. Estima-se que 80% dos adolescentes convivem com acne, que pode persistir até mais tarde na idade adulta, com importantes consequências para a autoestima. Casos de depressão em sequência a rostos mais comprometidos tem preocupado os médicos. O tratamento tópico é limitado e mesmo o uso de isotretinoína nem sempre é solução. Além de vários efeitos colaterais, a acne pode recidivar com interrupção da medicação. A acne é causada por bactérias que crescem nos poros obstruídos. A genética e hormônios têm seu peso, é claro. O gasto mundial em produtos para acne é estimado em quase 10 bilhões de dólares.
A francesa Sanofi está recrutando 400 pessoas com acne de moderada a severa nos Estados Unidos da América para testar uma vacina terapêutica. Os voluntários receberão duas doses de vacina e um reforço um ano depois. As vacinas em teste usam a tecnologia do RNA mensageiro que codificam proteínas da bactéria envolvida na acne. Outro grupo ligado à Universidade da Califórnia, em San Diego, também está trabalhando em pesquisa de vacina para acne, mas usando tecnologia diferente. Tendo com alvo a hialuronidase, os pesquisadores tentam interferir nos processos inflamatórios envolvidos na acne, independente das bactérias envolvidas.
Acne
Pesquisadores tentam interferir nos processos inflamatórios envolvidos na acne, independente das bactérias envolvidas Crédito: Shutterstock
A tecnologia de RNA mensageiro que representa um dos mais extraordinários avanços da Medicina moderna, que deu um prêmio Nobel a dois cientistas que contribuíram na estabilização destas moléculas, e que representa uma extraordinária esperança em tratamentos mesmo de câncer os mais diversos, tem enormes desafios a enfrentar. Primeiro, hoje sofre carga das autoridades sanitárias dos mesmos Estados Unidos da America. JFK Jr é desafeto declarado das vacinas de mRNA e fará o possível para dificultar novas pesquisas.
O segundo desafio é que nuca vivemos um momento de tanta desconfiança em relação às vacinas. Uma pesquisa Gallup o ano passado ouviu 1010 adultos nos EUA em que somente 40% consideravam extremamente importantes para os pais vacinarem seus filhos contra doenças graves como o sarampo. Tempos desafiadores para a ciência.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
O que explica derrota histórica de Lula no Senado (e qual recado envia ao STF)
Prosperidade vence Brasil de Farroupilha na Copa do Brasil Feminina 2026
Prosperidade elimina Brasil de Farroupilha nos pênaltis e avança na Copa do Brasil Feminina
Primavera-MT x Rio Branco, pela Copa Verde
Rio Branco empata, conta com combinação de resultado e avança na Copa Verde

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados