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Covid-19

Precisamos de um pacto de comportamento entre quem pensa diferente

É o que temos a fazer  enquanto não temos vacina nem um número suficiente de pessoas imunizadas que possam levar à sonhada imunidade de rebanho

Públicado em 

05 nov 2020 às 05:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Mais de 160 projetos de vacina estão em andamento no mundo
Mais de 160 projetos de vacina estão em andamento no mundo Crédito: Pixabay
segunda onda de Covid-19 em diversos países da Europa e o novo aumento em diversas capitais brasileiras, inclusive em Vitória, nos aflige a todos, exaustos de longo confinamento que, mantido por tanto tempo, tem efeitos danosos no humor das pessoas e na qualidade de vida.
Em consequência a motivos que escaparam ao nosso controle, perdemos tempo com discussões polarizadas e realizamos isolamentos imperfeitos, longos e insustentáveis. A economia vai mal. Os setores de eventos precisam voltar, as escolas também. Definitivamente não é sustentável exigir que serviços e ensino só retornem com vacina eficaz, apesar de boas vacinas estarem na fase final de testes. Ainda será necessário um tempo precioso para finalização dos testes, aprovação pelas agências regulatórias e logística de vacinação de populações inteiras.
As agencias regulatórias vão aprovar vacinas pela primeira vez na História sem ideia precisa da duração de sua eficácia, por absoluta urgência pela pandemia. Que fazer enquanto não temos um número suficiente de pessoas imunizadas que possam levar à sonhada imunidade de rebanho? Precisamos de um pacto de etiqueta de comportamento mesmo entre as pessoas que pensam diferente.
Devemos gastar menos energia com perfumarias: sapatos fora da casa contribuem para deixá-las mais limpas, mas têm impacto zero na prevenção da Covid-19. A desinfecção de prédios e ambientes é de duvidoso significado nesta pandemia. A farta distribuição de álcool em gel, oferecida por solícitos integrantes das lojas, não serve para nada quando nos aglomeramos.
Claro que lavar as mãos com água e sabão (ou álcool em gel) é fundamental para não levarmos os vírus à boca, nariz ou olhos. No entanto, sabemos hoje que 50% da transmissão é feita através da respiração próxima de pessoas sem sintomas. Por essa razão, a medida principal é manter pelo menos 1,5 metro de distância de todos.
Quando a distância não for segura, devemos estar em ambientes arejados e com máscara. Se necessário tirar as máscaras para comer ou beber, precisamos retomar distância segura. Aqueles de maior risco deveriam tentar usar máscaras médicas (cirúrgicas ou N95), mais eficientes.
Seria possível um pacto assim? Seremos uma raça diferente dos orientais, que estão nos dando um banho de disciplina? Lá não existe essa discussão ideológica boba de que máscara é focinheira. Seu uso correto será necessário por um bom tempo, mesmo com vacinas. Uma questão de civilidade e respeito ao outro.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço quer refletir sobre saúde e qualidade de vida na pandemia.

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