Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Saúde

Maconha e canabidiol, uso e abuso: o que dizem as novas pesquisas

São estudos muito importantes que alertam que a maconha (cannabis) não é uma droga tão inocente

Públicado em 

12 fev 2026 às 04:30
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

No final de 2025, a Jama, revista da Associação Médica Americana, publicou uma importante revisão intitulada “O uso terapêutico da Cannabis (maconha) e do Canabidiol” (composto químico extraído da maconha, desprovido de efeitos psicoafetivos, para fins terapêuticos).
A Jama  enfatiza que um em cada quatro americanos ou canadenses relata já ter usado cannabis por razões médicas e que 1 em 10 usou canabidiol. A revista, então, faz uma revisão cuidadosa das evidências para tanto, que pode ser acessada aqui.
Após detalhada pesquisa, a Jama conclui que os compostos com canabidiol têm evidências científicas para uso em apenas três condições: no tratamento da anorexia (perda de apetite) associada aos casos de HIV/AIDS avançado, na redução de náuseas e vômitos associados à quimioterapia e ao câncer e no tratamento de convulsões de difícil controle em crianças. Em todas as outras situações, como o tratamento da dor refratária ou da insônia (indicações da moda), não existem evidências de que seu uso seja mais adequado que outras abordagens médicas mais convencionais.
Os médicos norte-americanos ainda alertam que a inalação de maconha aumenta o risco de doença coronariana, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Outra pesquisa, também publicada na Jama em 2025, acompanhou 1003 adultos na faixa etária de 22-36 anos, alguns em uso frequente de maconha, por longos períodos, e observou uma queda de atividade cerebral em exercícios de memória. O estudo sugere que uso constante de cannabis (não canabidiol, atenção) pode levar a perda cognitiva com repercussões significativas no desempenho cerebral.
Finalmente, uma terceira publicação na mesma revista, estudando a população de Ontario no Canadá entre 2006 e 2022, demonstrou que a incidência de diagnóstico de esquizofrenia associada com o uso de maconha aumentou de 3,7% no período pré-legalização para cerca de 10,3 % no período pós-legalização.
São estudos muito importantes que alertam que a maconha (cannabis) não é uma droga tão inocente, como às vezes se propaga, podendo causar infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral no usuário constante, além de poder desencadear um quadro de esquizofrenia em uma pessoa suscetível.
Já os compostos de canabidiol, que não têm esse risco, têm apenas três indicações médicas precisas, para as quais existem evidências científicas para uso. Importante entender quando a Anvisa ampliou corretamente o acesso ao canabidiol no Brasil, que as pessoas conheçam as limitações e falta de evidências de seu uso indiscriminado. Não é uma panaceia!

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço quer refletir sobre saúde e qualidade de vida na pandemia.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Amigdalite de repetição: veja as formas de tratamento da condição
Imagem de destaque
Aliado de Arnaldinho sai do PSDB e se filia ao partido de Casagrande
Imagem de destaque
Polícia Civil recupera baterias de lítio furtadas e prende homem em Viana

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados