Nesta agradável tarefa de escrever semanalmente para A Gazeta, às vezes falta assunto, e outras vezes sobejam temas. Para o artigo de hoje ocorrem-me três boas matérias.
Posso lembrar o enforcamento do herói Tiradentes, levado a efeito pela Coroa Portuguesa em 21 de abril de 1792. Posso falar sobre a inauguração de Brasília, que ocorreu em 21 de abril de1960. Ou posso celebrar o Domingo de Páscoa, que deu início ao Tempo Pascal, no qual nos encontramos.
Os inconfidentes revoltaram-se contra a opressiva cobrança da derrama, que lhes furtava a recompensa pelo duro trabalho de extrair ouro das minas.
Chegaram a definir uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triângulo vermelho num fundo branco, e a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que Tardia).
Quanto idealismo, quanta grandeza de alma, que exemplo para todos os brasileiros e, de maneira especial, para as novas gerações!
A respeito de Brasília, começo com um registro pessoal porque os registros pessoais dão maior autenticidade aos textos.
Nos meus tempos de jovem, fundei um jornal em Cachoeiro de Itapemirim – a Folha da Cidade - , que era impresso numa máquina bem primitiva. Basta dizer que a impressão era feita página por página.
Na edição de 21 de abril de 1960, a Folha da Cidade abriu manchete saudando com entusiasmo a inauguração de Brasília.
Na época, houve muito debate, contra e a favor da transferência da capital do país para o Planalto Central. Mas hoje é unânime, ou quase unânime, o apoio à corajosa iniciativa de JK.
O nome Páscoa é de origem hebraica, da palavra Pessach que significa “passagem”. Leva esse nome porque antes de ser a festa da Ressurreição, marcava o final do Inverno e a chegada da primavera.
A Páscoa lembra a ressurreição do Cristo três dias após sua morte na cruz. É fundamento da fé cristã. A Páscoa é uma esperança viva dada por Deus aos homens.
Duas datas aqui lembradas são profanas – inauguração de Brasília e Inconfidência Mineira. E uma data é sagrada – a Páscoa. Mas há um teor de sacralidade nas datas profanas.
O sacrifício de Tiradentes teve a marca do martírio. Morreu pela Justiça. Brasília significou a esperança de um Brasil Novo – integrado, fraterno, solidário. O sagrado não está no rito, mas na essência daquilo que se celebra. A luta pela dignidade humana é sempre uma luta sagrada.