O jornal “Folha da Cidade” foi fundado no município de Cachoeiro de Itapemirim, tendo a edição inaugural publicada em 21 de junho de 1958. Conforme realçado no primeiro editorial, “o gosto pelo jornalismo, a consciência de responsabilidade e o desejo de servir a Cachoeiro e ao Espírito Santo determinaram o aparecimento da 'Folha da Cidade'”.
De frequência semanal, o periódico tratava do cotidiano cachoeirense e de inúmeros temas ligados à realidade capixaba. Também entrevistava personalidades, divulgava propagandas do comércio e informava sobre educação, saúde, esportes, eleições, violência, entre outros conteúdos.
Sua diretriz ia além dos acontecimentos locais e passava pelos principais líderes políticos da época como Attilio Vivacqua, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, Francisco Lacerda de Aguiar, João Goulart, Jânio Quadros e Juscelino Kubistchek. Havia, ainda, espaço para assuntos internacionais e para as colunas “Cantinho da Mulher”, “Vida Estudantil e Educacional”, “Amigos do Bom Cinema”, “Society” e “Folha Esportiva”.
A direção do noticioso cabia a João Baptista Herkenhoff, hoje juiz de Direito aposentado e colunista de A Gazeta, que o criou com apoio de familiares e amigos. Segundo Herkenhoff, em artigo escrito em 2015, o semanário era “impresso numa velha máquina e feito página por página, vagarosamente, mas com um belo ruído”. O chefe da oficina, Trófanes Ramos, orientava a equipe que, “juntando letra por letra, compunha as palavras. Um trabalho rigorosamente artesanal”.
A publicação circulou por cinco anos e teve um fim abrupto provocado por uma enchente do Rio Itapemirim, que destruiu o estoque de papel e a oficina, que ficavam no porão. A fatalidade acarretou a perda da maioria dos exemplares veiculados e o pouco que restou se deve à família do falecido empresário Pedro Faria Deps, proprietário da extinta firma “Deps, Filho & Cia.”, formada no município de Muniz Freire e uma das anunciantes do jornal.
Pelo patrocínio, Deps recebeu uma coleção encadernada da “Folha da Cidade” em 29 de abril de 1959, acervo repassado posteriormente à Casa da Cultura de Muniz Freire, onde permanece. Tal ato possibilitou a conservação das primeiras 19 edições, compreendendo o período de 21 de junho a 25 de outubro de 1958 e um total de 150 páginas, que agora necessitam de cuidados especiais e de digitalização.
Atualmente, nove jornais constituídos em Cachoeiro de Itapemirim estão disponíveis para consulta no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES) e no site da Biblioteca Nacional. Com a doação do também cachoeirense “Correio do Sul”, realizada em abril de 2019, o número chegará a dez e os pesquisadores terão mais uma importante fonte de pesquisa.
Para o bem da história capixaba, espera-se, em breve, a inclusão da “Folha da Cidade” na mesma lista. Fica aqui, portanto, a sugestão para que a Prefeitura de Muniz Freire, por meio da Casa da Cultura, busque parceria com o arquivo estadual para preservar e oferecer essa preciosidade ao público.