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A coluna trará uma análise do mercado imobiliário, com tendências do segmento, panorama, dicas e orientações. Tem como público-alvo principal o cliente que compra o imóvel, seja para morar ou investir, quem mora de aluguel, quem aluga, quem deseja vender o próprio imóvel, trocar. Ou seja, munir esses leitores de informação para ajudá-los a tomar decisões e fazer bons negócios

Entenda por que ainda é um bom momento para adquirir seu imóvel

Se você quer comprar um imóvel é preciso entender bem os diferentes fatores que envolvem esse investimento para tomar uma decisão no momento certo

Vitória
Publicado em 25/08/2021 às 01h59
Quanto maior a taxa de juros, maior é o valor das prestações, o que reduz grandemente as chances das parcelas caberem no bolso da grande maioria da população que deseja adquirir um imóvel.
Quanto maior a taxa de juros, maior é o valor das prestações, o que reduz grandemente as chances das parcelas caberem no bolso da grande maioria da população que deseja adquirir um imóvel. Crédito: Mastersenaiper/Pixabay

“Esta é a última unidade. Esse imóvel está com um preço muito bom, você pode ficar sem, se não tomar uma decisão rápida”. Você já deve ter ouvido isso, assim como outras afirmações desse tipo. Como já venho mencionando, essa argumentação está cada vez mais em desuso para os profissionais e empresas que estão ingressando definitivamente no Mercado 5.0, que já venho prevendo há mais de cinco anos no Instituto QR.

No entanto, nem tudo é “papo de corretor” e vou te explicar o que está acontecendo com os juros do crédito imobiliário e o porquê. Se você quer comprar um imóvel tem que entender bem para tomar uma decisão no momento certo.

A inflação está em forte alta no Brasil como já estamos vendo nas notícias de economia e eu vou lhe apresentar três indicadores diferentes que resumem o quadro de alta nos preços. O IPCA, índice oficial do país, acumula alta de 8,99% em 12 meses, o qual está muito acima da meta para o ano de 3,75%, com tolerância máxima de 5,25%. No entanto, tem indicadores mais assustadores. O INCC, que reflete diretamente os custos da construção civil, registra elevação de 17,35% em 12 meses. E o IGP-M, famoso índice de reajuste de contratos de aluguel, acumula alta de 33,83% no mesmo período.

Esse quadro de descontrole inflacionário é resultado de diversos fatores. Um deles é a retomada econômica global, que vem pressionando os preços de commodities como o petróleo (gera impacto nos combustíveis), o minério de ferro (gera impacto no aço) e a soja e o milho (gera impacto nos alimentos). Outro ponto é o auxílio emergencial, que viabilizou uma forte demanda por produtos como materiais de construção, elevando seus preços. Esse tema, inclusive, causou muita controvérsia em recente artigo aqui na coluna.

Há ainda o problema das contas públicas no vermelho, que pioram a percepção de risco do país, pressionam o dólar para cima e acabam contribuindo para a alta da inflação. Além disso, a própria reabertura econômica no Brasil, possibilitada pelo avanço da vacinação, vem aumentando a demanda por serviços que estavam congelados durante a pandemia.

Adicionado a isso tudo, seguindo a tradicional lei da oferta e da procura, os preços também estão avançando frente de uma demanda crescente. Esses custos mais altos afetam toda a cadeia do mercado imobiliário e o seu principal efeito colateral, que é o encarecimento do crédito imobiliário.

Diante da escalada inflacionária, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros (Selic), que estava em 2% ao ano desde agosto do ano passado. Esse patamar baixíssimo da Selic viabilizou, durante a pandemia, uma oferta recorde de crédito imobiliário com as menores taxas da história. Os bancos criaram linhas de crédito, com parcelas reduzidas, que couberam no bolso de milhares de brasileiros. O crédito barato, sem dúvida, foi um dos principais motores do setor imobiliário nos últimos 12 meses.

O problema é que o Banco Central vem pisando no acelerador dos juros. Aquela Selic atraente de 2% ao ano não existe mais. A taxa básica já virou 5,25% e, pelas previsões do mercado financeiro, deve encerrar o ano em torno de 7,5%. Os bancos, consequentemente, começam a reajustar suas linhas de financiamento imobiliário. O Itaú, por exemplo, acaba de subir de 6,9% para 7,3% sua linha prefixada. O Santander, o Bradesco e o Banco do Brasil já haviam reajustado suas taxas em julho, enquanto a Caixa Econômica Federal ainda avalia se vai alterar o custo de suas linhas.

Quanto maior a taxa de juros, maior é o valor das prestações, o que reduz grandemente as chances das parcelas caberem no bolso da grande maioria da população que deseja adquirir um imóvel.

No entanto, vale destacar que os juros do crédito imobiliário ainda estão em patamares bem atraentes se compararmos com as taxas cobradas nas últimas décadas no Brasil. Como a tendência é de alta tanto dos juros quanto do preço dos imóveis, fica claro que o consumidor tem ainda, neste momento, boas oportunidades para comprar um imóvel que provavelmente não existirão no ano que vem.

Então como disse acima, nem tudo é papo de corretor. Se ainda está pensando em adquirir seu imóvel, ainda pode ser a sua chance. E se você é um profissional 5.0, que já entendeu o seu papel como educador financeiro dos seus clientes, precisa explicar esse cenário econômico para a sua base de contatos. Mas atenção: não pode parecer discurso de vendedor que está com pressa em fechar um negócio, mas entender que o seu papel é ajudá-lo a fazer o melhor negócio para ele.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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