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É o fim do carro popular no Brasil? Modelo tradicional beira os R$ 90 mil

Ainda que o termo “carro popular” tenha sido criado na década de 90 com o objetivo de ampliar a parcela da população apta a adquirir um veículo 0 km, ter um carro novo no país nunca foi barato

Vitória
Publicado em 17/09/2021 às 01h59
A produção de modelos mais simples e baratos fez sucesso no país, principalmente entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000.
A produção de modelos mais simples e baratos fez sucesso no país, principalmente entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000. Crédito: Rawpixel.com/Freepik

Em fevereiro de 1993, o governo federal assinou a regulamentação do carro popular. À época, para ser apto a pagar apenas 0,1% de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o motor do veículo não poderia ter mais que 1.000 cm³. A regulamentação fez com que as montadoras nacionais se mobilizassem para aproveitar essa facilidade que, é claro, prometia aumentar bastante as vendas ao oferecer carros mais baratos. Foi nesse contexto que surgiram modelos clássicos no país, como o Fiat Uno Mille, VW Gol 1000, o Chevrolet Chevette Júnior e o Ford Escort Hobby.

A produção de modelos mais simples e baratos fez sucesso no país, principalmente entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000. Para se ter uma ideia, em 2001, 69,8% dos carros vendidos no país possuíam motores 1.0 ou menores, segundo informações da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Porém, os novos tempos indicam uma outra tendência. Já que hoje temos carros 1.0 com motores turbo (e que certamente são bem mais custosos), peguemos a classificação de “veículos de entrada” (aqueles modelos mais simples vendidos pelas concessionárias) para notarmos essa mudança.

Em 2016, os dados mostraram que a participação dos carros 1.0 no total de vendas havia caído para 33,1%. Porém, voltou a crescer desde então. Isso não quer dizer que o consumidor retomou o interesse por esse tipo de veículo, porém, nesse período as montadoras começaram a investir em propulsores 1.0 turbinados, mais caros e eficientes, para modelos mais custosos.

Os veículos de entrada tiveram seu “pico de vendas” no ano de 2003, quando 49,1% das vendas de automóveis no Brasil correspondiam a essa categoria, de acordo com dados da Fenabrave. Porém, no ano passado, apenas 12,7% das vendas no país correspondiam aos carros com esse perfil.

Além da queda nas vendas, nota-se também a dificuldade de encontrar veículos de entrada ou populares no mercado. Hoje, as opções classificadas como populares são restritas ao Fiat Mobi, Renault Kwid, Volkswagen Gol e Fiat Uno. Porém, cabe destacar que os dois primeiros já custam mais de R$ 47 mil, além do fato de o VW Gol ter versões que beiram os R$ 90 mil e o Fiat Uno ter seu futuro incerto pela montadora italiana.

A escassez de opções de carros populares torna-se nítida quando comparamos os modelos de SUVs disponíveis: há no mercado brasileiro hoje 40 modelos classificados como SUVs. Logo, um número dez vezes superior ao de carros de entrada.

Muitos fatores explicam essa mudança no mercado de automóveis. Porém, uma das mais sentidas certamente é o aumento da exigência do consumidor. Afinal, sejamos honestos: você compraria hoje um carro sem ar-condicionado ou sem direção hidráulica/elétrica? Abriria mão dos vidros elétricos e do fechamento das portas através do controle na chave?

Nossas exigências aumentaram e isso reflete tanto no preço quanto no perfil dos produtos oferecidos pelas montadoras. Porém, ao deixar os carros mais equipados, as montadoras fazem mais do que atender aos desejos dos compradores. Vale lembrar que, quanto mais tecnologia é envolvida na produção de um carro, maior é a oportunidade de lucro das fabricantes (o famoso “maior valor agregado”).

Se, de um lado, os métodos de produção mais modernos tornaram a fabricação mais barata, de outro, os compradores (por suas exigências) e os governos (por suas regulamentações fiscais e ambientais) exigem cada vez mais conteúdo, o que faz com que os valores aumentem consideravelmente.

Ainda que o termo “carro popular” tenha sido criado em meados de 1990 com o objetivo de ampliar a parcela da população apta a adquirir um veículo 0 km, é fato que ter um carro novo no Brasil nunca foi barato e os números revelam que essa ampliação ao acesso vem ficando ainda mais difícil no país, fazendo com que o consumidor opte na maioria das vezes pelo seminovo ou usado.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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