É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Se alguém gosta de presentar com livros, há lançamentos em Vitória

Amanhã, dia 22, serão lançadas quatro obras publicadas pela Academia Espírito-Santense de Letras em convênio com a Secretaria de Cultura da PMV. O lançamento é virtual, mas os livros serão distribuídos aos interessados

Publicado em 21/12/2020 às 09h30
A Biblioteca Pública Municipal Adelpho Poli Monjardim está localizada no Casarão Cerqueira Lima, na Cidade Alta, no Centro Histórico de Vitória
A Biblioteca Pública Municipal Adelpho Poli Monjardim está localizada no Casarão Cerqueira Lima, na Cidade Alta, no Centro Histórico de Vitória. Crédito: PMV/Divulgação

Nesta última semana que antecede o Natal, as pessoas estarão em busca de seus presentes, para dar aos seus entes queridos, na noite de Natal. E nove entre dez brasileiros comprarão roupa, tanto para adultos quanto para crianças. Alguém já parou pra pensar por que gostamos tanto de roupas e por que gastamos tanto com peças de vestuário? Somos diferentes de outros povos nesse aspecto ou todo mundo é assim? Quando vejo as cenas de multidões nas ruas populares em busca de roupa, lembro Konrad, ao descrever o Congo, ou Marlon Brando, no Vietnã: o Horror, o Horror...

Certa vez, nos tempos pré-pandêmicos, fui visitar a Tunísia, pequeno país islâmico no norte da África, num circuito de oito dias, iniciando e terminando em Túnis. Como todo brasileiro, levei uma mala de roupas, pois fazia frio à noite e calor durante o dia. Não levei bagagem de mão, apenas um casaco para a noite no avião. Fiz escala no aeroporto de Madri e, ao chegar a Túnis, constatei a ausência de minha mala, aquela espera angustiante que todo viajante conhece, de dezenas de malas rodando na esteira, você procurando a sua, todos vão recolhendo sua bagagem, até que a esteira para e nada mais resta. Aí você se dirige, aflito e desconsolado, ao setor de achados e perdidos, preenche uma ficha, descreve sua mala, tenta entrar em contato com a seguradora sem sair do aeroporto, enfim, uma chatice danada e muito tempo perdido.

Ao sair do setor de desembarque, o guia estava à minha espera. Nada simpático, me disse que partiríamos em seguida. Se quisesse esperar a mala, perderia o tour. Claro, havia pagado pelo passeio e não o iria perder por uma mala de roupas. O problema é que estava com a roupa do corpo, uma calça jeans, uma camisa social, cueca e meias já usadas. E fazia muito calor! O passeio seria num micro-ônibus, umas 20 pessoas, todos europeus, exceto eu. Ninguém para desabafar o que sentia. Havia um casal de portugueses idosos, me enturmei com eles, mas me sentia excluído e só, na minha penúria dos sem mala.

Em cada cidade que visitávamos, ficava de olho nas feiras populares, em busca de roupa pra comprar, nos poucos minutos livres que o guia nojentinho nos dava. Assim, consegui comprar cuecas, camisetas, bermuda, uma sandália, que me permitiram fazer os passeios mais confortavelmente, mas, à noite, nos jantares, quando todos estavam bem vestidos, lá estava eu com minha calça jeans e a camisa social com que tinha viajado uma semana antes.

No último dia, um casal jovem de espanhóis me perguntou por que eu fazia questão de trocar de roupa todo dia. Disse-lhes que era costume nosso trocar de roupa, diariamente, após o banho, também diário. Eles riram e disseram que nem tomavam banho e nem trocavam a roupa, diariamente. Cada povo com sua cultura. Na volta, recuperei a mala, no aeroporto, intacta.

Tudo isso foi pra dizer que adoro presentear com livros, bem como ganhá-los, e nem só de roupa vive o presente de Natal. E, se alguém tiver o mesmo gosto, amanhã, dia 22, serão lançados quatro livros publicados pela Academia Espírito-Santense de Letras em convênio com a Secretaria de Cultura da PMV: os "Escritos de Vitória", v. 35, org. de Adilson Vilaça; "Homens e Cousas Espírito-Santenses", de Amâncio Pereira, reedição de obra publicada em 1914, agora organizada por Fernando Achiamé; "Quando o Penedo Falava", de Elpídio Pimentel, reedição de obra publicada em 1927, também org. por Fernando Achiamé e "O Pestalozzi Capixaba, Amâncio Pereira: Vida e Obra", org. por mim, v. 32 da col. Roberto Almada. O lançamento será virtual, mas os livros serão distribuídos aos interessados, a partir do dia 23, na Biblioteca Adelpho Poli Monjardim, na Cidade Alta, no período da tarde. Boa leitura e um Feliz Natal a todos. Paz e Bem!

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