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Literatura capixaba

Quem foi Saul de Navarro, um dos pioneiros da AEL

Escritor capixaba, que dá nome a uma rua na Praia do Canto, tomou posse na cadeira 4 da Academia Espírito-santense de Letras em 24 de junho de 1925

Publicado em 21 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

21 jun 2021 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Saul de Navarro
Saul de Navarro é o pseudônimo literário de Álvaro Henrique Moreira de Souza, nascido em Santa Leopoldina em 1890 Crédito: Arquivo AEL/Divulgação
Neste ano, a Academia Espírito-santense de Letras completa cem anos de existência e a nossa dinâmica presidente, Profª Ester Abreu, incumbiu-me de pesquisar e de divulgar quem foi Saul de Navarro, um de nossos pioneiros. Como não podemos sair de casa e nos encontrarmos presencialmente, como sempre fizemos, nos encontramos em reuniões a distância, tudo como mandam os protocolos destes nossos tristes dias.
A primeira dificuldade que encontrei foi localizar a obra e saber mais da vida deste notável escritor capixaba que, hoje, dá nome a uma rua na Praia do Canto e à biblioteca da nossa Academia. Quando se digita Saul de Navarro no Google, só aparecem referências comerciais da rua que lhe dá nome, como “vende-se ou aluga-se apartamento”.
A pequena biografia existente em nosso site, feita por Elmo Elton nos anos 1980, não ajuda muito e, descobri mais tarde, precisa ser revisada. Felizmente, quatro de suas onze obras publicadas estão em nossa biblioteca e a BN digital é uma mão na roda, pois nela encontrei muita coisa, inclusive tudo que publicou na "Revista Vida Capichaba" (sic) e em jornais da época.
Saul de Navarro é o pseudônimo literário de Álvaro Henrique Moreira de Souza, nascido em Santa Leopoldina em 1890 e falecido no Rio de Janeiro em 1945. Passou a infância no Espírito Santo e, mais tarde, mudou-se com a família para o Rio Grande do Sul, onde fez os preparatórios para o curso superior, em 1907. O pai era médico, mas não escolheu essa carreira para si, como era comum, e sim o Direito, tendo cursado a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais no Rio de Janeiro.
Não se sabe se concluiu o curso, pois nunca advogou, tendo iniciado sua carreira no jornalismo em 1910, quando começou a escrever no jornal Imprensa, dirigido por Alcindo Guanabara, seu tutor, considerado, na época, o “Príncipe dos Jornalistas Brasileiros”, pois o inconsciente monárquico ainda persistia (e) no povo brasileiro. Atuou nos jornais "A Razão", "O Brasil", "Gazeta de Notícias", "O Dia", "A Notícia", e colaborou nas revistas "Ilustração Brasileira", "Revista da Semana" e "Revista do Brasil". Em 1916, publicou seu primeiro livro, "Visões do Século", com 225 páginas pela Ed. Lethes. Foi bem recebido pela crítica, no Brasil e no exterior.
Passou a colaborar com as revistas latino-americanas "Nuestra América", da Argentina, "Hero", de Cuba, "América Latina", do Equador, "Plumadas", da Venezuela, dentre outras. Tornou-se o maior divulgador da literatura latino-americana no Brasil, como demonstrado na publicação de seu principal livro, "O Espírito Ibero-americano", em 1928. Antes desse, em 1922, lançou "Prosas Rebeldes", livro de 167 páginas, com crônicas, artigos e pequenos contos, com uma postura ideológica socialista, o que lhe provocou forte crítica da imprensa conservadora católica.
Com a criação da Academia Espírito-santense de Letras em 1921, idealizada por Alarico de Freitas, Elpídio Pimentel e Garcia de Rezende, os escritores capixabas residentes no Rio, Afonso Cláudio, Colatino Barroso, Mendes Fradique, Saul de Navarro, Ulisses Sarmento, não foram esquecidos e foram convidados a participar. Saul de Navarro aceitou e tomou posse na cadeira 4 em 24 de junho de 1925, tendo feito o discurso "Elogio do Berço e de um Ritmo", em que enaltecia sua terra natal e o patrono de sua cadeira, Ulisses Sarmento, poeta parnasiano-simbolista, falecido em 1923.
De 1925 a 1930, foi delegado fiscal do Tesouro no Espírito Santo, tendo intensa participação política e na vida social da cidade de Vitória. Mas, em outubro de 1930, houve o golpe militar de Getúlio Vargas e muitos acadêmicos perderam seus empregos, inclusive Saul de Navarro. Regressou ao Rio e nunca mais voltou a Vitória, embora continuasse publicando na "Vida Capichaba" até 1933, quando foi para a Europa, onde permaneceu até 1936.
De volta ao Brasil, publicou "O Segredo de Portugal", em 1938, e "O Mundo Que Vai Nascer", em 1944, e, antes de morrer, doou a sua biblioteca para a AEL, inaugurada em 1947, com a presença de sua esposa, Da. Isaura Fonseca Moreira de Souza. Não teve filhos. Em 1948, a rua Rio Novo passou a se chamar Saul de Navarro, por lei municipal.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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