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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Hábito da leitura precisa ser promovido no Brasil

Celebrado em 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor traz reflexões sobre o poder dos livros

Publicado em 26/04/2021 às 02h00
Livro
Os livros são nossos aliados na disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo. Crédito: Pixabay

No dia 23 de abril comemora-se, no mundo todo, o Dia do Livro e dos Direitos do Autor. Esse dia foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor por ser as datas de nascimento e de morte do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) e de nascimento do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616). Por todo o mundo, os Estados-membros da Unesco celebram o poder dos livros para nos reunir e transmitir a cultura dos povos e seus sonhos de um futuro melhor.

A comemoração desse dia nos dá oportunidade para refletirmos juntos sobre as maneiras de melhor disseminar a cultura da palavra escrita e de permitir que todos os indivíduos, homens, mulheres e crianças, tenham acesso a ela, por meio de programas de alfabetização e de apoio a publicações, livrarias, bibliotecas e escolas. Os livros são nossos aliados na disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo.

A cultura brasileira não foi construída, desde a sua formação, pela promoção da leitura entre crianças, jovens e camadas socialmente menos favorecidas da população, devido ao pouco estímulo dado à educação e ao acesso aos livros, e isso ainda persiste, quando o atual governo sinaliza com a taxação dos livros, por considerá-los objetos de consumo da classe rica. Por outro lado, diminui ou elimina os impostos sobre armas, por considerar prioritário que todos possam adquiri-las. Um verdadeiro contrassenso.

Precisamos de escolas de qualidade, de ensino que prepare a criança e o jovem para a vida, de professores bem remunerados, de bibliotecas atualizadas e bem equipadas, de ensino de tempo integral, onde pais e mães possam deixar seus filhos com tranquilidade, enfim, precisamos de educação e não de armas.

Neste momento terrível de crise por que passamos, sanitária, social e econômica, livrarias e editoras físicas estão fechando, escolas sem aulas presenciais, as pessoas estão grudadas nas redes sociais, recebendo e repassando, muitas vezes, informações falsas, alarmistas; muitas aproveitam para fazer cursos on-line, poucas se dedicam à leitura de livros digitais. Os livros físicos estão caros, pois além do custo da baixa tiragem, ainda temos de pagar o serviço postal.

Os índices de leitura recentes mostram que o consumo de livro em nosso país caiu nos últimos anos, pelo menos entre as classes A e B, que podem escolher e pagar pela forma de entretenimento ou de diversão. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, de 2020, revela que a parte mais pobre da população mantém índices constantes quanto ao hábito de leitura de livros, ao contrário do argumento usado pelo ministro Paulo Guedes em sua justificativa de taxação dos livros encaminhada ao Congresso Nacional.

É preciso que esse dia seja um momento para reflexão sobre a necessidade de se promover a formação do hábito de leitura em nosso país. Um dia para que se promova a diversidade editorial, a propriedade intelectual e o acesso igualitário à riqueza advinda dos livros.

Esse dia nos chama também a refletir sobre as mudanças nos livros ocorridas em seus mais de cinco mil anos de existência. Os livros digitais não substituem os impressos, assim como ainda existem os amantes do vinil, mas oferecem novas oportunidades de acesso ao conhecimento, a um custo menor e atingindo um público muito maior. Todas as formas de livro são uma contribuição valiosa para a educação, a disseminação da cultura e da informação, pois são a nossa mais bela invenção para compartilhar ideias e sentimentos, além das fronteiras do espaço e do tempo.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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