Todo mundo gosta de feriado, ou melhor, quase todo mundo, já que para os empresários é sempre uma perda de arrecadação. Todavia, é necessário repensar algumas datas, pois além dos feriados nacionais, ainda existem os estaduais e os municipais. Além disso, temos de contar os pontos facultativos que, conforme o nome indica, podem ser dias de folga ou não, mas, que, por aqui, acabam mesmo sendo dias de folga.
Parece que o Brasil é um dos países do mundo com o maior número de feriados, pois são 15 ao todo, a saber: 1º de janeiro, Confraternização Universal; carnaval (1, 2 ou 3 dias), se contarmos a quarta-feira de cinzas; Sexta-feira Santa, Paixão de Cristo; 21 de abril, Tiradentes; 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho; Corpus Christi; 7 de setembro, Independência do Brasil; 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida; 28 de outubro, Dia do Servidor Público; 2 de novembro, Finados; 15 de novembro, Proclamação da República; 20 de novembro, Dia da Consciência Negra; 25 de dezembro, Natal. Os pontos facultativos são: carnaval, segunda, terça e quarta até meio-dia; Corpus Christi; o Dia do Servidor Público, exceto para eles; e as vésperas de Natal e de ano-novo, a partir das 14h.
Não quero provocar críticas raivosas com este texto, apenas propor uma reflexão sobre o sentido dos feriados. Por exemplo, por vivermos em um país laico, com a separação de Igreja e Estado, qual o sentido de mantermos no calendário feriados religiosos como Paixão de Cristo, Corpus Christi e Nossa Senhora Aparecida?
O Brasil não é mais uma nação essencialmente católica. Somos uma pátria ecumênica, com liberdade de credos e crenças, pelo menos no papel, e esses feriados são de origem cristã ou católica. Faz sentido mantê-los? E Finados? Parece que sua origem é ainda mais antiga, pois o culto aos mortos tem origem céltica, asteca, maia, egípcia ou ainda anterior. Faz sentido ter um dia no calendário para lembrar os mortos? Nunca fui a cemitério nesse dia; sempre o fiz, quando senti necessidade de ir, pois a memória dos meus mortos é indelével.
Quanto aos feriados cívicos ou pátrios, há muito se questiona Tiradentes como herói nacional. Alguns historiadores afirmam que foi um mito fabricado, após a Independência, que Tiradentes foi bode expiatório e, na verdade, nem mesmo foi morto em 21 de abril, mas substituído por um ladrão comum, que aceitou morrer para salvar a família, e viveu muitos anos, em Lisboa ou mesmo por aqui.
O Sete de Setembro poderia ser a nossa data máxima, como já o foi em priscas eras, o nosso 4 de julho americano ou 14 de julho francês, mas, hoje em dia, crianças e jovens nem mesmo sabem cantar o nosso Hino da Independência, o “Já Podeis da Pátria filhos”, composto por D. Pedro. O Dia da Proclamação da República, então, ninguém respeita, pois a República brasileira, golpe militar que derrubou a Monarquia Parlamentarista, até hoje claudica, com altos e baixos, sempre namorando a ditadura e a volta ao regime de exceção, como nestes tenebrosos tempos bolsonaristas.