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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Vivemos tempos ásperos com a pandemia, mas há esperança

No livro “Covid-19: Antes e Depois”, autor acredita que o sofrimento experimentado com a doença deverá nos levar a um mundo mais fraterno, onde o amor ao próximo seja mais praticado. Tomara!

Publicado em 29/03/2021 às 02h00
Atualizado em 29/03/2021 às 02h02
Mulher com máscara rezando
Livro nos põe a refletir sobre o futuro que nos aguarda: novas posturas, novas ações com relação ao próximo. Crédito: Freepik

Estamos todos confinados, temendo a peste que nos ronda. Mais uma semana para nos fecharmos em nossas vidas precárias e tentarmos resistir como pudermos. Uns fazem pão, outros vendem tortas. Pelo menos a febre de lives de cantores sertanejos ainda não voltou (risos).

Tem gente que prefere passar o tempo nas redes sociais, acho que a maioria, hoje, opinando sobre tudo e sobre todos. Outros veem filmes em casa, já que os cinemas públicos estão em extinção, como as livrarias físicas e os jornais impressos. São os novos tempos. Tempos de dor e de solidão. Eu, como sempre, leio e, agora, estou lendo e recomendo o livro “Covid-19: Antes e Depois”, de Nilson Pereira Baptista, publicado em Lisboa, um escritor capixaba que desconhecia e faz uma brilhante reflexão sobre os tempos em que vivemos.

É muito difícil refletir sobre os fatos presentes quando se está no meio do turbilhão, mas ele o faz, de forma clara e sucinta, em quatro capítulos: No I, fala das “Epidemias Nossas de Cada Época”, de forma bem didática, mostrando que a atual pandemia não é diferente das inúmeras outras que assolou a humanidade, em todas as épocas; no II, faz um relato bem claro sobre a milenar “História da China”, mostrando como esse país sempre esteve no centro da história do mundo, muitas vezes à frente de todos os outros, com suas descobertas científicas e inovações culturais; no III, faz uma reflexão sobre a “Nova Era”, para a qual estamos caminhando.

Será (É?) a quinta fase da história da humanidade, que se sucede à Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Estamos vivendo um momento de transição, o que nos provoca incerteza e perplexidade diante das mudanças. As novas eras implicam novos meios de produção econômica, mudanças em orientações religiosas e sociais, novos paradigmas culturais. Daí, a explicação para as crises, que alimentam incertezas, pessimismo e fatalismos.

No último capítulo, “Aprendendo com a Covid-19”, o autor nos põe a refletir sobre o futuro que nos aguarda: novas posturas, novas ações com relação ao próximo e ao meio ambiente, já que a pandemia nos mostrou, claramente, a fragilidade humana. Um vírus, invisível ao olho humano, surge e, repentinamente, para a humanidade, a economia, a mobilidade, a ida como era antes. Neste um ano e pouco de sua intromissão, matou, indistintamente, pobres e ricos, velhos e jovens, adultos e crianças. Só entre nós, brasileiros, hoje, o epicentro da doença, já levou mais de 300 mil e ainda temos o ano todo pra chorar nossos mortos, enquanto toda a população não estiver vacinada.

O autor termina seu livro de forma otimista. Ele acredita, ou pelo menos almeja, que o sofrimento experimentado pelo mundo com a Covid-19 deverá nos levar a um mundo mais fraterno, onde o amor ao próximo seja mais praticado. Ele acredita, ou sonha, que estamos entrando numa NOVA ERA para a humanidade, melhor do que as anteriores. Tomara! É muito bom ler um livro como esse, bem escrito, claro, atualizado, sobre questões vividas e refletidas sobre o tempo em que vivemos. Refletir o presente é muito difícil, e o que se faz, nas redes sociais, é um extravasar de ódios e de subjetividades, que não levam a nada, ou levam a muitas coisas, sobretudo às ruins.

Até eleger um mau presidente, como ocorreu nos EUA e aqui. Quem lê, reflete, pondera, compara, assimila, discorda, ou seja, não age impulsivamente como se faz nas redes sociais, sem checar a veracidade dos fatos e sua consequência. Sei que o que estou dizendo não é novidade para quem chegou até aqui, ao final deste texto, pois certamente é um leitor, um “brother”, um “parça”, um “Irmão”. A você, recomendo-lhe o livro acima citado, que me foi indicado por Jeanne Bilich, nossa “sagaz leitora” dos tempos atuais.

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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