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Conflito no Oriente Médio

Guerra entre Israel e Hamas: a paz precisa reinar na Faixa de Gaza

Mais uma vez, Gaza e sua população estão sendo destruídas. Daí, a urgência em se abrir corredores humanitários, dos dois lados da fronteira, para que se possa entrar água, comida e medicamentos para o sofrido povo palestino

Publicado em 23 de Outubro de 2023 às 00:30

Públicado em 

23 out 2023 às 00:30
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro
A primeira vez em que ouvi o nome desta cidade, Gaza, foi quando, na adolescência, li o romance “Sem olhos em Gaza”, publicado em 1936 pelo escritor britânico Aldous Huxley. O título é uma referência a uma frase de “Sansão Agonista”, poema de John Milton, e ambos aludem à história bíblica de Sansão, que, após capturado pelos filisteus, teve os olhos queimados e levado a Gaza, onde foi forçado a trabalhar como escravo em um moinho. Quando Huxley escreveu esse romance, ainda não havia Israel e toda aquela região era chamada Palestina, onde viviam árabes, a maioria, e judeus, a minoria, dominada pelos ingleses.
Gaza era uma cidade de veraneio para os britânicos ricos, à beira do Mediterrâneo, onde eles iam desfrutar os encantos do Oriente, com o exotismo de seus costumes, comidas, bebidas, sexo livre e drogas, sem os rigores do falso puritanismo inglês. O romance narra a vida de um desses privilegiados, Anthony Beavis, desde a sua infância, ao final do século XIX, até 1936, o presente da narração. A narrativa, sem ordem cronológica, descreve a vida de Beavis na escola, na faculdade, seus vários casos românticos, questionando a falta de sentido da vida da alta sociedade, que vivia à custa dos trabalhadores de suas colônias.
A narrativa descreve a desilusão gradual de Beavis, culminada pelo suicídio de um amigo. A partir daí, o protagonista começa a buscar algum sentido para sua vida, que parece encontrar, quando descobre o pacifismo e, posteriormente, o misticismo. Gaza é o pano de fundo para a crise existencial do personagem ou o elemento propulsor da mudança.
Gaza é uma das cidades mais antigas do mundo. Sua história remonta a cinco mil anos. Por sua posição estratégica, entre o Oriente e o Ocidente, era rota das caravanas que vinham desde a China. Também fazia parte das rotas de comércio de especiarias que saíam de Alexandria, no Egito, em direção a Jerusalém, Damasco, até Istambul. Os antigos egípcios a governaram por cerca de 350 anos, quando os filisteus a tomaram.
Sob os romanos e o Império Bizantino, Gaza experimentou uma paz relativa e seu porto floresceu. Em 635, foi conquistada pelos muçulmanos e se tornou um centro da lei islâmica. Os cruzados a tomaram em 1099 e a cidade ficou em ruínas. Nos séculos seguintes, Gaza passou por ataques mongóis, enchentes e pragas de gafanhotos, reduzindo-se a uma vila incorporada ao Império Otomano, no século XVI. Passou por uma época de grande comércio e paz, tendo-se tornado município em 1893. Na Primeira Guerra Mundial, foi tomada pelas forças britânicas e, em 1948, como resultado da Guerra Árabe-Israelense, o Egito ocupou o território da Faixa de Gaza.
Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Gaza foi capturada por Israel. Em 1993, a cidade foi transferida para a Autoridade Nacional Palestina, recém-criada. Em 2007, o Hamas tomou o poder em Gaza. Egito e Israel impuseram um bloqueio à Faixa de Gaza, aliviado em 2010, por Israel e, em 2011, pelo Egito, com a passagem de Rafa. Com os ataques terroristas sangrentos do Hamas a israelenses, no último 7 de outubro, ambas as fronteiras foram fechadas e o cerco de Israel à Faixa de Gaza provoca milhares de mortes de civis palestinos, que nada têm a ver com a guerra hedionda entre Israel e Hamas.
Não por acaso, o nome “Gaza” significa, nas línguas semíticas, “feroz, forte”. Os antigos egípcios a chamavam de “Gazate”, “cidade valiosa” e muçulmanos a chamam “Gazate Haxim”, em homenagem ao bisavô de Maomé, que estaria enterrado ali.
Mais uma vez, Gaza e sua população estão sendo destruídas. Daí, a urgência em se abrir corredores humanitários, dos dois lados da fronteira, para que se possa entrar água, comida e medicamentos para o sofrido povo palestino. A Palestina tem direito a um estado independente, conforme aprovado em sessão histórica presidida por Oswaldo Aranha, em 1948, e Israel e EUA têm de reconhecer isso.
Caso contrário, nunca haverá paz naquela região e eles continuarão se matando até o fim dos tempos. Conforme a Bíblia, são povos irmãos, descendentes de Ismael e de Isaac, ambos filhos de Abraão, o pai do povo judeu e do povo palestino. É uma guerra fratricida e a paz precisa reinar entre eles.

Francisco Aurelio Ribeiro

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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