Na madrugada do último dia 7 de outubro correu o mundo as primeiras notícias sobre o ataque terrorista em Israel. O brutal e covarde ataque foi planejado e realizado pelo grupo terrorista Hamas, tendo como objetivo vitimizar o maior número de pessoas possível, não poupando a vida de crianças, mulheres e idosos.
Em resposta, Israel convocou cerca de 300 mil reservistas das forças armadas e vem, nos últimos dias, atacando violentamente o território da Faixa de Gaza, com o propósito de eliminar prédios e instalações ocupadas pelos terroristas. Entretanto, civis também estão sofrendo os efeitos devastadores da retaliação da força bélica israelense.
A média diária de mortes registradas na primeira semana da guerra já supera 500 vítimas. Os feridos totalizam mais de 14 mil pessoas, sendo aproximadamente 3 mil israelenses e 11 mil pessoas residentes na Faixa de Gaza. Milhares de pessoas de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros, estão concentradas na porção sul da Faixa de Gaza, na cidade de Rafah, aguardando permissão para deixar o território da guerra.
Além das questões humanitárias, a guerra Israel-Hamas gera efeitos na economia mundial. Tais efeitos podem variar de acordo com a extensão geopolítica, intensidade e prolongamento temporal do conflito.
Nos primeiros dias do conflito o preço do barril de petróleo aumentou 4%. Esse pode ser considerado um aumento inicial, uma vez que a região que é o foco do conflito não é uma grande produtora de petróleo. Caso a dinâmica geopolítica da guerra passe a envolver mais diretamente países que integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como o Irã, pode ocorrer uma pressão maior nos preços da mencionada commodity, por uma possível redução na perspectiva da oferta. Antes mesmo disso acontecer, o mundo já precifica o risco do crescimento da inflação nas principais economias e de uma recessão no mercado mundial.
Em curto prazo, os impactos da guerra Israel-Hamas na economia brasileira podem ficar limitados às variações do preço dos combustíveis, de câmbio e da bolsa de valores, uma vez que o Brasil não apresenta uma relação direta com o conflito. Entretanto, se a guerra intensificar e se prolongar no tempo, tais oscilações podem desdobrar no aumento da inflação, o que em última instância pode levar o Banco Central a revisar a estratégia de corte sequencial da taxa de juros.
Ainda é cedo para projetar com precisão os impactos da guerra na economia mundial. Neste sentido, é importante acompanhar a extensão geopolítica, intensidade e duração do conflito. Para além disso, a atenção às questões humanitárias deve ser priorizada para a construção de um caminho diplomático que viabilize um possível cessar-fogo.