Não tem sido fácil assistir ao noticiário nem tampouco escapar dele. As cenas da sangrenta guerra entre Israel e Hamas estão por toda a parte. A mãe que envolve o filho morto com os braços, o hospital bombardeado, os mísseis endereçados a casas, hospitais e escolas, o vazio de não saber o paradeiro de um amigo, um amor, um irmão, a dor e o desespero cravados no olhar, os destroços de concreto e gente.
Quem tem razão numa guerra destas?
As narrativas desencontradas também se acumulam, como se fossem capazes de justificar o injustificável. Por um lado, vemos a disputa entre os que acreditam que Israel tem o direito de se defender versus os que enxergam no país o objetivo, bem menos nobre, de eliminar a população palestina do mapa para ampliar território.
Por outro, vemos os que entendem a ação israelense como opressora e colonizadora e o Hamas como um grupo anticolonialista e libertador amparado pela velha máxima de que os fins justificam os meios.
Por outro ainda, vemos os que separam a matança do Hamas do verdadeiro desejo dos palestinos, gente comum, de paz, provavelmente cansada de se refugiar por terras alheias ao longo dos tempos.
Talvez seja um pouco de tudo, o explosivo resultado de quando as contradições do ser humano se encontram com a ambição das nações, o desequilíbrio da História se depara com os desvios da política, a fome de poder se alimenta de religião e radicalismo, o peso do passado se impõe de tal forma que o futuro fica pesado igual.
O horror, o horror… Só que desta vez sem pipoca, Marlon Brando ou os acordes da Cavalgada das Valquírias abafando o som das bombas.
Apesar do que dizem, num conflito como este, não tem esquerda ou direita, vilões ou mocinhos, vencedores ou derrotados, colonizadores ou colonizados que me convençam sobre a serventia da guerra.
Nada me tira a certeza de que esse tipo de conflito não serve pro que dizem que ele serve. Não adianta me mostrar mapas nem fronteiras, falar do passado ou do futuro, defender a revolução ou um suposto acerto de contas, apelar para o racismo, lembrar do nazismo ou invocar a fé e o fervor.
Na sangrenta guerra entre Israel e Hamas, eu escolho torcer pelos inocentes.