ASSINE
Colunista de Esportes

Vergonha! Racismo contra goleiro do Vasco foi tratado como "algo pequeno"

Em entrevista, delegado do jogo entre Oriente Petrolero e Vasco afirmou que ato racista durou pouco e foi sem importância. Um absurdo, até porque racismo é crime

Publicado em 21/02/2020 às 17h43
Goleiro reserva do Vasco, Alexander reclamou de racismo dos torcedores do Oriente Petrolero. Crédito: DAZN/Reprodução
Goleiro reserva do Vasco, Alexander reclamou de racismo dos torcedores do Oriente Petrolero. Crédito: DAZN/Reprodução

Assim como na sociedade, o racismo lamentavelmente segue impregnado no mundo do futebol. Nesta semana, mais dois episódios graves aconteceram, mas pior que isso é a forma como foram tratados. Após tantas campanhas da FIFA contra o racismo era de se esperar que Conmebol e demais federações já soubessem como lidar com esse acontecimento que revela uma das piores atitudes que uma pessoa tem a oferecer. Mas infelizmente isso não acontece.

Na última quarta-feira (19), o Vasco foi a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, enfrentar o Oriente Petrolero pelo jogo de volta da primeira fase da Sul-Americana e ao fim da partida, quando o time cruz-maltino já encaminhava a classificação, o goleiro reserva Alexander foi chamado de “macaco” por torcedores bolivianos. Revoltado, Alexander se dirigiu ao quarto árbitro e disse: “Estão me chamando de Macaco, está errado”. Vários jogadores do banco de reservas endossaram o coro do goleiro contra os insultos que vinham das arquibancadas. O árbitro do jogo ao ver a cena deu cartão amarelo para o zagueiro Ricardo Graça. Ou seja ele foi punido por contestar um ato racista.

Não satisfeito com a postura equivocada do árbitro, o delegado do jogo classificou o ato racista da torcida do Oriente Petrolero como “algo muito pequeno”. Em entrevista a O Globo, ele frisou: “Foi muito pouco. Algo pequeno. Não foi nada de importante. Durou nem dois minutos”. Como assim “não foi nada de importante”? Racismo é crime. Não existe a possibilidade de mensurar pouco ou muito racismo. Tal prática desprezível é crime e tem que ser tratada como tal.

O torcedor se sente à vontade para, no estádio, revelar o que pensa sem qualquer receio em ser punido. Isso acontece porque na maioria das esferas as autoridades são coniventes ou preferem fechar os olhos para o preconceito. Enquanto isso, o jogador negro segue sofrendo nos gramados, seu local de trabalho, onde merece respeito como qualquer outro profissional.

Em Portugal 

Em Portugal, no último domingo, o malinês Marega também sofreu insultos racistas. Toda vez que tocava na bola, o atacante que foi o autor do gol da vitória do Porto sobre o Vitória de Guimarães por 2 a 1, ouvia gritos de torcedores imitando um macaco. Marega se revoltou e abandonou a partida, mas antes disso ele se dirigiu a arquibancada apontando para os braços e levantando o dedo médio. Os torcedores responderam atirando cadeiras e objetos nos gramados.

Ao fim da partida, Marega desabafou nas redes sociais. Outros jogadores também manifestaram apoio. E isso que é importante. Os negros devem sempre se posicionar e denunciar atitudes racistas. Não dá mais para engolir insultos e não fazer nada. Só assim será possível sonhar que um dia esse preconceito seja extinto.

Clube vasco da gama racismo

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.