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Jornalista de A Gazeta há 10 anos, está à frente da editoria de Esportes desde 2016. Como colunista, traz os bastidores e as análises dos principais acontecimentos esportivos no Espírito Santo e no Brasil

Referência dentro e fora da quadra, Fernanda Garay viveu um ano especial

Em quadra medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e prêmios individuais, fora dela, referência para mulheres negras e combate ao racismo

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 31/12/2021 às 04h00
Fernanda Garay foi uma das jogadoras que mais se destacou nas Olimpíadas de Tóquio
Fernanda Garay foi uma das jogadoras que mais se destacou nas Olimpíadas de Tóquio. Crédito: FIVB/Divulgação

 “Não é uma aposentadoria. É uma pausa na minha carreira. A próxima decisão fica para logo mais”, me contou a ponteira da seleção brasileira feminina de vôlei Fernanda Garay no dia 07 de dezembro, em Aracaju-SE, no dia da festa do Prêmio Brasil Olímpico, uma noite de gala do esporte brasileiro.

E nesta sexta-feira, 31 de dezembro de 2021, última dia do ano e véspera do ainda desconhecido 2022 acredito que o sentimento geral é esse não é mesmo: vamos deixar a próxima decisão para logo mais. Ainda dá tempo de olhar para trás e perceber que mais um ano desafiador se passou, e que aos trancos e barrancos chegamos ao fim. Como sempre um misto de lutas, que resultaram em vitórias, derrotas e muito aprendizado. E claro, fica agora aquela dose de motivação para fazer o futuro diferente.

E o que estar por vir para Garay também é uma incógnita. A atleta que brilhou em 2021 ao ajudar o Brasil a conquistar a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio e ganhou dois prêmios individuais na temporada (melhor atleta do vôlei brasileiro e atleta da torcida) se permite agora uma parada para pensar o futuro. Aos 35 anos, o desejo de ser mãe fala muito alto, assim como o desejo de estar nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, se não como jogadora, quem sabe ajudando nos bastidores, um lugar na comissão técnica, tudo ainda a ser pensado. Por enquanto, a certeza de poder celebrar o ano de sucesso.

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“O retorno às atividades e a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio foi muito importante. Foi muito gratificante ter a oportunidade de estar lá, de viver aquilo e de representar o Brasil. A medalha de prata foi realmente um presente. Uma coroação para todo o trabalho e toda a dedicação depois de um período tão difícil. Os prêmios individuais tem um sabor especial, principalmente o atleta da torcida. |Ver as pessoas comprometidas e votando em mim com tanto carinho e com tanto amor já é um troféu. Mostra que estive no caminho certo e fiz boas escolhas”, declarou Fernanda sem esquecer das dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19

“O ano de 2021 teve um significado muito diferente. A gente viveu tempos difíceis. Tempo de ficar em casa, de se proteger, de cuidar da gente, de cuidar do outro e de não poder praticar o esporte, o que significava não poder também trabalhar. Eu tive um ano muito bom e o esporte brasileiro também. Foi muito legal perceber lá em Tóquio que as pessoas que estiveram lá se entregaram, passaram por todas essas dificuldades da pandemia e ainda assim representaram o Brasil da melhor maneira possível”.

Fernanda Garay comemorou duas vezes no Prêmio Brasil Olímpico: melhor atleta de vôlei e atleta da torcida
Fernanda Garay comemorou duas vezes no Prêmio Brasil Olímpico: melhor atleta de vôlei e atleta da torcida. Crédito: Jonne Roriz/COB

COMBATE AO RACISMO E REFERÊNCIA PARA MULHERES NEGRAS

A força e a garra de Fê Garay, suas marcas registradas nas quadras entram em cena também quando ela não está com a bola nas mãos, mas para abordar o combate ao racismo. No mês de novembro, no Dia da Consciência Negra, a atleta se posicionou nas redes sociais e levantou a importância de lutar contra a discriminação racial.

“Nesse dia da consciência Negra enquanto queremos discutir o racismo que está estruturado dentro de nossa sociedade e as maneiras de combatê-lo, nos chocamos ao nos deparar com o racismo explícito sendo praticado contra crianças e atletas, e que os tribunais esportivos relativizam e perdem a oportunidade de mostrar que esses atos "isolados" devem ser punidos com rigor. É frustrante de uma certa maneira, mas por outro lado me motiva a cada vez mais usar minha voz para fazer o debate, aprender com aqueles que chegaram antes de mim e criar pontes de diálogo para que a mensagem do antiracismo alcance o maior número de pessoas”, publicou.

Ao comentar sobre o tema, Fernanda afirmou que entende o lugar em que está, se vê como referência para outras mulheres negras. “Isso foi uma coisa que ao longo do processo eu fui entendendo de uma forma melhor. Sinto-me realmente muito feliz por entender esse lugar (referência para mulheres negras). Entender que eu posso sim para muitas pessoas ser referência. Orgulha-me muito e me traz alegria as escolhas que eu fiz, que me permitiram estar nesse lugar hoje.”  

Fernanda Garay é daquelas atletas necessárias tanto dentro quanto fora da quadra. Estaremos de perto acompanhando as decisões que serão tomadas "logo mais" e o que virá pelo futuro, que certamente será um sucesso.

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