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Insucessos

Eliminação na Libertadores é o atestado de incompetência do Flamengo

Rubro-Negro falhou nos momentos decisivos mais uma vez, e viu um rival tecnicamente inferior ser letal. Valentia que levou aos pênaltis foi apenas o requinte cruel do adeus

Publicado em 02 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 dez 2020 às 05:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza Filipe Souza
Racing eliminou o Flamengo da Libertadores em pleno Maracanã
Racing eliminou o Flamengo da Libertadores em pleno Maracanã Crédito: Conmebol/Divulgação
Ser eliminado de qualquer campeonato é por si só um processo traumático. Dar adeus à principal competição do continente ao ser batido por um time tecnicamente inferior, em uma temporada cercada pela expectativa de ser vitoriosa, devido ao investimento para tal, e bater de frente com o fracasso é cruel e frustrante. Mas esse é o retrato de um Flamengo incompetente dentro de campo e conturbado fora dele.
A eliminação na Libertadores após a derrota na disputa de pênaltis para o Racing por 5 a 3, depois de empate em 1 a 1 no tempo normal, em pleno Maracanã, na noite desta terça-feira (01), foi mais um episódio protagonizado por um elenco incapaz de ser decisivo nos momentos cruciais. Por mais que boa parte dos jogadores sejam remanescentes do Flamengo avassalador de 2019, o poder de decisão ficou no passado e deu lugar a falta de intimidade com o gol. Foi assim diante do São Paulo, no adeus à Copa do Brasil, nas quartas de final, e novamente o mesmo roteiro, agora diante dos argentinos, nas oitavas da final da Liberta.
 O time comandado por Rogério Ceni teve 67% de posse de bola na partida e finalizou 19 vezes, sendo 5 na direção do gol, além de ter cobrado 15 escanteios. O aproveitamento de finalização do Flamengo é ridículo. O desperdício de algumas oportunidades também beira o absurdo. Só no primeiro tempo, Bruno Henrique furou uma bola dentro da área e Vitinho desperdiçou duas chances cara a cara com o goleiro Arias. Lances que poderiam definir o confronto, dessas que não se pode dar ao luxo de perder.
E o Flamengo pagou muito caro por isso. Com a ineficiência do ataque, a defesa, que sempre entrega, aprontou novamente. Primeiro com Rodrigo Caio expulso ao levar o segundo cartão amarelo por uma falta dura na intermediária em um jogador de costas para o gol, que pouco poderia produzir no lance. O castigo veio imediatamente. Na falta cobrada para a área, Gustavo Henrique além de não conseguir cortar, ainda "ajeitou de calcanhar" para Sigali arrematar para as redes e abrir o placar para o Racing.

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A fase ruim de Gustavo Henrique é algo fora do normal. Visivelmente sem confiança em campo, o defensor errou domínios simples no decorrer da partida e perdeu divididas com os atacantes. Ainda assim foi escolhido por Ceni para ser titular pela esquerda, faixa do campo em que ele poderia até optar pelo canhoto Léo Pereira, que também não vive um momento muito bom. A defesa rubro-negra é uma dor de cabeça sem fim.
Se a escolha de Rogério Ceni por Gustavo Henrique é discutível, o que dizer de suas substituições durante o jogo. Para estruturar o time após a expulsão de Rodrigo Caio, o treinador optou por sacrificar Arrascaeta, para fechar a defesa e ter o mínimo de transição com Gomes. Logo na sequência, entrou com Pedro, já que precisava de gols, mas sacou Éverton Ribeiro para a entrada do atacante. Aos 23 minutos do segundo tempo, com a necessidade de balançar as redes, o Rubro-Negro ficou sem suas duas referências em criação. Errou, o professor Ceni.
Flamengo abusou das chances perdidas e foi cruelmente punido pelo rival
Flamengo abusou das chances perdidas e foi cruelmente punido pelo rival Crédito: Conmebol/Divulgação
Ainda assim, o Flamengo conseguiu chegar ao empate. O covarde Racing, mesmo com um homem a mais, se escondeu sob a vantagem mínima e continuou a ser pressionado por um Rubro-Negro com coração e pouquíssima organização. Última cartada de Ceni na partida, Diego cobrou escanteio na cabeça de Willian Arão, que testou para as redes, empatou o jogo já nos acréscimos e levou a decisão para os pênaltis, onde o mesmo Arão se tornou vilão ao desperdiçar a quarta cobrança. Em seguida, Fabrício Domínguez bateu para selar a classificação da equipe argentina. 
Resta ao Flamengo agora lutar pelo título do Brasileirão, o que não será uma missão das mais fáceis. Fora de campo, a diretoria, que no planejamento financeiro contava com o avanço de sua equipe às fases finais da Libertadores e da Copa do Brasil, não poderá mais contar com essa renda, que seria significativa. Péssimo para o momento, já que o clube precisa quitar a rescisão salarial de Domènec Torrent, demitido recentemente, que gira em torno de R$ 11,4 milhões. E também se planejar para comprar o atacante Pedro, que tem contrato de empréstimo até o fim do ano. A Fiorentina pede R$ 91 milhões pelo jogador. Ou seja, não faltam desafios, e o sucesso é um alvo que se mostra cada vez mais distante.

Filipe Souza

Filipe Souza Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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