Ambientes coralíneos ainda pouco conhecidos e montes submarinos da Cadeia Vitória-Trindade serão mapeados e monitorados durante os próximos três anos. O trabalho vai se estender da região oceânica em frente à Capital até o arquipélago de Trindade e Martim Vaz, a cerca de 1,2 mil quilômetros a leste da costa do Espírito Santo.
Essa ação vai avaliar a saúde dos corais, identificar áreas submetidas a diferentes níveis de pressão e produzir informações para orientar ações de fiscalização, recuperação e conservação marinha. As atividades fazem parte do projeto “Corais entre Manuel Luís e Vitória-Trindade”, que será executado pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), com a participação de pesquisadores, estudantes e bolsistas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
No Estado, também haverá ações na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas, no Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz e na APA do Arquipélago de Trindade e Martim Vaz. O projeto ainda prevê o monitoramento da biodiversidade e o enfrentamento de espécies exóticas invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão.
A iniciativa receberá R$ 16,36 milhões em recursos não reembolsáveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com a contrapartida de R$ 16,65 milhões do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o investimento total chegará a R$ 33,01 milhões.
O valor financiará o conjunto de ações realizadas em nove Estados. A quantia destinada especificamente às atividades no Espírito Santo ainda não foi informada.
O apoio foi oficializado nesta sexta-feira (28), durante o 9º Congresso Brasileiro de Oceanografia, realizado em Vitória. Após a aprovação pela diretoria do BNDES, serão iniciados os procedimentos para a formalização do projeto, a mobilização das equipes e a estruturação dos centros de pesquisa envolvidos.
Segundo a oceanógrafa Laura Silveira Vieira Salles, a expectativa é que os trabalhos comecem ainda este ano. Durante os 36 meses, as atividades serão realizadas simultaneamente em seis frentes, cada uma com cronograma próprio.
Um dos eixos será liderado pelo professor da Ufes Alex Cardoso Bastos e ficará responsável pelo mapeamento e pela caracterização de áreas consideradas prioritárias para conservação no chamado Mar do Leste. A frente abrangerá a cadeia de montes submarinos que se estende da região oceânica em frente a Vitória até Trindade e Martim Vaz, a aproximadamente 1.200 quilômetros da costa.
Bolsistas e outros profissionais também deverão atuar nos centros de pesquisa do ICMBio, entre eles o Centro Tamar, em Vitória. O número de pessoas envolvidas nas atividades realizadas no Espírito Santo será definido durante a estruturação das equipes.
Os estudos utilizarão técnicas acústicas, sensoriamento remoto, imageamento e levantamentos de campo. A expectativa é produzir mapas de habitats, representações tridimensionais do relevo do fundo do mar, além de imagens e vídeos em alta resolução.
Os levantamentos também alcançarão recifes mesofóticos, encontrados em regiões mais profundas e com menor incidência de luz. Na Cadeia Vitória-Trindade, serão reunidos dados sobre montes submarinos protegidos e não protegidos contra a pesca.
As informações serão disponibilizadas em uma plataforma pública, que reunirá dados atuais e históricos para acompanhar as mudanças nos ambientes coralíneos. De acordo com Laura, a sobreposição das informações permitirá identificar regiões submetidas a diferentes pressões e avaliar o estado de conservação de cada área.
“Esses dados poderão subsidiar de forma mais objetiva a tomada de decisão pelos órgãos públicos, apoiando o planejamento de ações de monitoramento, fiscalização, conservação e recuperação ambiental”, explica.
A plataforma também poderá ajudar a identificar novas áreas de ocorrência de corais e regiões prioritárias para proteção. Os resultados poderão orientar a gestão das unidades de conservação existentes e uma eventual proposta de criação de novas áreas de conservação marinha.
Digite aqui seu texto...
Além do Espírito Santo, o trabalho será realizado no Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, abrangendo aproximadamente 3 mil quilômetros da costa brasileira. Ao todo, serão contempladas 14 unidades de conservação, incluindo Fernando de Noronha, Abrolhos e Trindade e Martim Vaz.
Entre os resultados previstos estão o monitoramento de 16 espécies e a identificação e o acompanhamento de 12 espécies exóticas ou invasoras. O projeto também pretende capacitar 510 pessoas e beneficiar diretamente outras 600, além de envolver 114 pesquisadores e técnicos.
A iniciativa foi selecionada na chamada pública BNDES Corais, criada para apoiar o mapeamento, o monitoramento e a recuperação de ambientes coralíneos, além do combate a espécies invasoras e à pesca predatória. A Fest, fundação de apoio à Ufes e ao ICMBio, será responsável pela execução e pela gestão do projeto.