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Pandemia

A Revolta da Vacina e a quarentena: a história se repete

Uma crise dessas proporções exige coordenação central “monolítica”. O que temos aqui? Um presidente que não se entende com seus ministros para alinhar um discurso uníssono à população confusa

Publicado em 02 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 abr 2020 às 05:00
Danilo Carneiro

Colunista

Danilo Carneiro

24/03/2020 - Brasília - DF -  Videoconferência com Governadores do Centro-Oeste - Ministro de Estado da Saúde, Luiz Henrique Mandetta durante Videoconferência com Governadores do Centro-Oeste.  Foto: Marcos Corrêa/PR
Ministro de Estado da Saúde, Luiz Henrique Mandetta: ótimo trabalho frente à pandemia do coronavírus Crédito: Marcos Correa
Em 31 de outubro de 1904, o Congresso Nacional aprovou a Lei da Vacina Obrigatória. Parte da pressão foi feita pelo jovem e brilhante médico sanitarista Oswaldo cruz que gozava de enorme prestígio e autoridade intelectual por já ter liderado a luta contra a peste bubônica e também as Brigadas Mata-Mosquitos para erradicação da febre amarela.
Ele contou com o apoio incondicional do então presidente Rodrigues Alves (que já havia perdido uma filha para a febre amarela). A lei retirava do cidadão o “direito individual” de decidir sobre tomar ou não a vacina contra a varíola – seria “na marra” mesmo. A obrigatoriedade de vacina desencadeou uma revolta popular gigantesca, centrada especialmente no Rio de Janeiro, com confrontos e mortes nas ruas.
A população resistia violentamente às doses de vacinas e ao que eles chamavam invasão das suas casas. Até os geniais Rui Barbosa e Olavo Bilac apoiaram as manifestações porque entendiam que as liberdades individuais estavam em risco. Houve dissidência dentro do próprio exército com a insurreição da Escola Militar da Praia Vermelha! Que ironia!
Pois é, um século depois e as pessoas fazem filas de forma ordeira e cobram dos governos, severamente, as campanhas de vacinação. A história sempre se encarrega de decantar as teses sólidas daquelas que não passam de discursos políticos, invenções e modinhas. O apelo atual pelo isolamento vem enfrentando oposição semelhante - por certo, não está à altura de Rui e de Olavo. Mas quem estaria!?
Uma crise dessas proporções exige coordenação central “monolítica” (presidente, ministros, governadores etc...). O que temos aqui? Um presidente que não se entende com seus ministros para alinhar um discurso uníssono à população confusa. Nessas horas dá saudade do Obama. Ele parecia ser presidente de todos – Presidente do Mundo – Uma voz moderadora e moderada em busca de consenso sobre as questões essenciais.
Líderes não transferem responsabilidades. Líderes galvanizam as opiniões em uma síntese coerente e produtiva. O ministro Mandetta vem fazendo um trabalho excepcional e pode se tornar um caso raro de subordinado que consegue “sucesso” mesmo sendo sabotado diariamente pelo chefe. Claro que é preciso certa dose de pragmatismo para enfrentar a vida e as suas esquinas...
Nelson Mandela quando foi eleito na África do Sul manteve e apoiou a mesma equipe econômica que atuou no período do Apartheid. E por quê? Porque estava dando certo! A economia é a ciência que estuda a administração ótima de recursos escassos. Então, curve-se a economia à sua majestade a vida, e encontre soluções. Imprima dinheiro, aumente o déficit fiscal, faça tributação progressiva, reduza juros, refinancie dívidas, redefina padrões logísticos, assegure o abastecimento, distribua dinheiro para a etc... ou, no popular, “se vire”. Não existe economia sem gente!
Caso fiquemos ouvindo simplesmente as vozes da economia “pura”, então... Roberto Campos, sempre ele, tem a resposta: “Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: A mais rápida é pelo jogo, a mais agradável é com mulheres e a mais segura é seguindo os conselhos de um economista.” Portanto, senhores, mostrem que o nosso liberal estava errado e encontrem uma solução com o mínimo de perdas humanas. Todo o resto será lixo para a história!

Danilo Carneiro

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