Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sistema eleitoral

Urna eletrônica é confiável e um instrumento a serviço da democracia

Possibilidade da volta do voto impresso representa tremendo retrocesso para o Brasil

Publicado em 18 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

18 jun 2021 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Urnas eletrônicas
As urnas eletrônicas foram utilizadas pela primeira vez no Brasil nas eleições de 1996 Crédito: Carlos Alberto Silva
Foi apenas em 1932, com a criação da Justiça Eleitoral, que o sigilo do voto passou a ser resguardado por cabines e sobrecartas oficiais. Além de ter concedido o direito ao voto feminino, o Código Eleitoral previa o uso de “máquinas de votar”. Na década de 1960, o brasileiro Sócrates Puntel criou a urna eleitoral mecânica, porém, foi apenas em 1995 que se encontrou uma solução segura e confiável: a urna eletrônica.
As urnas eletrônicas foram utilizadas pela primeira vez no Brasil nas eleições de 1996, em todo o Estado do Rio de Janeiro, nas capitais e nos municípios com mais de 200 mil eleitores, totalizando 57 cidades no país e cerca de 32% do eleitorado. Nas eleições presidenciais de 1998, dois terços dos brasileiros votaram em urnas eletrônicas e, finalmente, nas eleições locais do ano 2000, a urna eletrônica chegou a todos os eleitores.
Como toda invenção, as urnas eletrônicas nunca foram indenes a críticas e a suspeitas, a imensa maioria delas infundadas e levianas. Entretanto, nos últimos anos, com o avanço das fake news e das teorias da conspiração, ganharam espaço as mentiras quanto à confiabilidade das urnas eletrônicas.
Ressurge no Congresso Nacional e nos debates a possibilidade do voto impresso, a despeito das reiteradas provas de segurança do sistema eleitoral. Inclusive, em setembro de 2009, quando da aprovação da minirreforma eleitoral, a lei nº 12.034/2009 previa que após o eleitor votar, a urna eletrônica deveria imprimir um comprovante impresso da votação individual.
No entanto, a Procuradoria-Geral da República ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4543 e o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, entendeu, dentre outros fundamentos, que a impressão do voto fere o artigo 14 da Constituição da República, que garante o voto secreto.
Por mais incrível que pareça, quem mais suscita dúvidas injustificáveis e dissemina boatos contra a segurança das urnas eletrônicas é o grupo que venceu a última eleição presidencial. Ora bem, se não confiam na higidez da votação nas urnas eletrônicas, como acreditam que se sagraram vencedores no pleito de 2018?
Aliás, desde que as urnas eletrônicas vêm sendo utilizadas, foram eleitos candidatos dos espectros do centro (Fernando Henrique Cardoso, em 1998), esquerda (Lula, em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014), e direita (Bolsonaro, em 2018). O fato de as urnas trazerem resultados à esquerda e à direita é um forte indicativo da segurança do dispositivo eletrônico.
Mesmo porque, nessas mais de duas décadas de uso de urnas eletrônicas no Brasil, não se comprovou a existência de nenhuma ameaça à segurança ou à inviolabilidade das votações. O processo eletrônico de votação possui mecanismos em camadas para assegurar a segurança: assinatura digital, criptografia, resumo digital (hash) e a tabela de correspondência de todas as urnas utilizadas. Além disso, as urnas eletrônicas não ficam conectadas à internet.
A urna eletrônica também conta com as zerésimas, que são relatórios extraídos, na presença de fiscais e do público em geral, antes de o primeiro eleitor votar na seção, demonstrando que não há nenhum voto inserido na urna. Ao final da votação, os boletins de cada urna são impressos e divulgados para que sejam confrontados com os resultados que serão contabilizados, ao final, pela Justiça Eleitoral. Isso sem mencionar as auditorias frequentes.
O voto impresso, lado outro, representa um tremendo retrocesso. Além da falta de provas contra as urnas eletrônicas, o voto impresso pode servir como um mecanismo para que quem compra voto comprove que o eleitor de fato votou nele. O voto impresso também gerará custos extras ao poder público e poderá atrasar o resultado dos pleitos, isso sem contar os inúmeros e constantes relatos de fraudes quando do voto impresso.
A urna eletrônica continua sendo confiável e um instrumento tipicamente brasileiro, a serviço de nossa democracia.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Benefícios do atum: veja como o alimento ajuda a saúde física e mental
Imagem de destaque
Assinaturas esquecidas: 5 dicas para identificar cobranças indevidas e cancelar
Imagem de destaque
Homem morre e dois ficam feridos após criminosos passarem atirando em rua na Serra

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados