Eleito com o jingle de “paz e igualdade”, dando sequência a uma onda antipetista, o primeiro ano da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini deixou a desejar. Mas isso não surpreende, já que o plano de governo apresentado às pressas na época da eleição não continha ações precisas a serem tomadas pelo novo governo, senão, meras formulações genéricas e vagas.
A paz que o prefeito propagava em sua campanha eleitoral, fazendo alusão a seu cargo de delegado de Polícia Civil, a bem da verdade, está muito longe de ser alcançada. Talvez porque faltem ações concretas por parte da gestão municipal, que tem focado sua atuação em publicidades envolvendo a Guarda Municipal, como se o problema da insegurança e da violência urbanas pudessem ser resolvidos exclusivamente à base de balas.
Se a paz não foi atingida, muito menos a igualdade, já que, desde a campanha eleitoral de 2020, o prefeito sinalizava que o foco de sua atuação seriam os bairros mais favorecidos, como quando, por exemplo, criticou seu adversário João Coser, quando o ex-prefeito disse que a atenção da gestão deveria ser voltada às regiões mais carentes.
Entre as propostas que o prefeito Pazolini ainda está longe de cumprir, destacam-se: a criação de cursos preparatórios nas unidades de ensino municipal voltados à preparação de jovens para ingresso no Ifes e nas provas do Enem; usar a tecnologia de inteligência artificial, que permite cruzamento de dados em tempo real, para análise de reconhecimento facial e comportamental e mapeamento das áreas com maior incidência de crimes; a criação de festivais culturais em todas as regiões da cidade, estimulando eventos, com apresentação dos artistas locais; a construção e revitalização do projeto da orla noroeste; a redução de tributos para empresas de projetos de pesquisa, desenvolvimento científico e tecnologia; a revitalização e implantação do Novo Mercado da Vila Rubim e do Mercado da Capixaba.
Porém, as áreas em que a cidade parece ter mais retrocedido são a saúde e a social, como um todo. O prefeito prometeu criar três centros de especialidades para atender a demanda de consultas de especialistas, ampliar de forma gradativa o horário de funcionamento das unidades de saúde para até as 22 horas, a implementação de uma política pública interdisciplinar continuada voltada aos indivíduos com Transtorno do Espectro Autista e a criação do programa de atenção à saúde do dependente químico, todavia, nada disso saiu do papel.
Inclusive, nos últimos dias tem se tornado mais claro como a população de Vitória tem enfrentado sérias dificuldades no acesso aos serviços mais básicos de saúde, desde consultas médicas até o recebimento de medicamentos básicos que se encontram em falta.
Na área social, salta os olhos o desmanche das políticas públicas então existentes na capital, como o fim das Tendas do Bem e os cortes significativos nos setores de abordagem social e de consultório na rua, prejudicando, sobremaneira, aqueles em situação de rua que convivem com transtornos psiquiátricos, representando, muitas vezes, risco a si mesmo e a terceiros.
Dada a precarização social e o aumento de população em situação de ruas, o prefeito precisa urgentemente cumprir suas promessas de campanha de criar e implementar o programa de renda mínima municipal, ampliar a abordagem e o cuidado com as pessoas em situação de rua e expandir o aluguel social para os moradores em situação de vulnerabilidade.
Se não bastasse, num feito inédito, Vitória perdeu o posto de maior economia do Espírito Santo para a Serra. Enquanto o município serrano subiu de 42ª para 39ª maior PIB do Brasil, a capital capixaba caiu da 34ª posição para a 47ª. O dado é relativo a 2019, mas mostra o desafio que se impõe à atual gestão.
Todavia, mais importante que o tamanho do PIB é a qualidade de vida e a percepção que os cidadãos têm de sua própria cidade, o que não parece militar a favor da Capital capixaba, já que caiu muito a qualidade dos serviços ofertados à população.
Vitória precisa aproveitar o fato de ter sido alçada a metrópole para converter tal status em melhoria na qualidade de vida de quem mora na cidade.