Toda eleição é histórica, mesmo porque é relativamente recente o pleno funcionamento do regime democrático no Brasil. As eleições municipais, neste contexto, são tão importantes quanto as eleições nacionais.
Diferentemente do presidente, que tem uma visão macro do país, prefeito, vice-prefeito e vereadores são os representantes políticos que estão mais perto do povo e, justamente por isso, em tese, são os que têm maiores condições de saber, por exemplo, em qual posto de saúde falta remédio ou em qual bairro há maior déficit habitacional.
Os recursos municipais, por outro lado, dado o nosso modelo federativo, estão mais com a União que nos cofres municipais.
Ser prefeito não é administrar empresas, o objetivo das prefeituras não é alcançar lucro, e sim melhorar a vida das pessoas. A despeito da necessidade de estreita observância à lei de responsabilidade fiscal, não parece ser republicano e democrático economizar nos três primeiros anos de gestão somente para gastar todos os recursos no ano de eleição, em busca de um novo mandato, espalhando tapumes no afã da reeleição.
Questões complexas e perenes como a insegurança urbana não são resolvidas com uma canetada. Problemas dessa alçada dependem de ações conjuntas e ordenadas entre municípios, Estado e União. Portanto, frise-se, o prefeito precisa ter disposição para dialogar e não apenas com quem gosta ou com quem pensa parecido.
O gestor municipal deve estar perto e sensível às demandas da população. Do contrário, os preciosos recursos públicos serão gastos sem que, em contrapartida, sejam asseguradas efetivas melhorias para o cidadão, destinatário final de toda e qualquer intervenção pública.
Basta ver os mais de R$ 200 milhões gastos, às pressas e na calada da noite, para colocar asfalto onde já existia ou, pior, instalar asfalto onde a população não queria, modificando o aspecto de ruas e aumentando a impermeabilidade do solo das cidades. É preciso se atentar às prioridades da população que, no caso da mobilidade urbana, deveria ser a busca de soluções para contornar o problema do trânsito e dos engarrafamentos cada vez mais caóticos.
Em pouco tempo, os cidadãos terão a oportunidade de escolher quem e como será a condução das cidades brasileiras. Afinal de contas, são as prefeituras as responsáveis por muitas demandas do cotidiano, desde a merenda nas escolas e os remédios nas unidades de saúde, até questões mais sensíveis como os planos de enfrentamento a catástrofes climáticas.