Antes importante área da cidade de Vitória, hoje o Centro é retrato do abandono e do descaso. Com a expansão da cidade, principalmente nos anos 1980, aos poucos, começou a ocorrer uma debandada de empresas e repartições públicas do Centro da capital capixaba. De lá pra cá, muitas foram as promessas de revitalização do Centro de Vitória, mas poucos os efetivos resultados (positivos).
A despeito de o Centro de Vitória concentrar a maioria dos patrimônios históricos da capital e, com ela, parte significativa da história do Espírito Santo, isso não tem sido suficiente para que ocorra uma intensiva ação de preservação e recuperação. Passaram-se anos com registros de incêndios e desabamentos em prédios do Centro e, ainda hoje, quem passa pelas ruas da região convive com o medo de que alguma marquise ou outra estrutura mal conservada venha a ruir, como registrado por A Gazeta.
Isso sem contar o grande número de imóveis totalmente abandonados ou subocupados, muitos deles servindo como esconderijo para bandidos e dependentes químicos, quando poderiam ser um lar para pessoas sem teto na capital. Falta respeito ao patrimônio público, atenção às pessoas e preocupação com a função social da propriedade.
Em meio a essas cenas de abandono que já se prolongam por anos, quem vive, trabalha ou precisa ir ao Centro de Vitória tornou-se alvo fácil para meliantes de toda sorte. Comerciantes e frequentadores do Centro são testemunhas vivas de um cenário de medo constante e presença deficitária do poder público. Roubos e furtos acontecem a qualquer horário da noite ou do dia, faça chuva ou sol.
Nem mesmo a igreja de Nossa Senhora do Rosário conseguiu ficar a salvo dos criminosos. Na madrugada da última sexta (17), ladrões arrombaram o templo religioso e furtaram alguns objetos. Trata-se de um espaço que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1946, mais uma vítima do abandono e da insegurança do Centro.
Iniciada a passos lentos a restauração do Mercado da Capixaba, outro ponto importante parece ter sido esquecido: o Teatro Carlos Gomes, que segue fechado ao menos desde 2017. Enquanto isso, os comércios e estabelecimentos públicos remanescentes no Centro, aos poucos, fecham as portas ou mudam-se para outros bairros, como ocorrido com as megalojas da Renner e da C&A.
Se não bastassem as cenas de abandono, neste ano a Prefeitura de Vitória decidiu impedir a circulação de blocos de pós-carnaval pelas ruas do Centro da Capital. O esvaziamento do Centro não interessa a ninguém, muito menos à cidade!
Em vez de impedir movimentos culturais nas ruas e ambientes do Centro de Vitória, por exemplo, o que deveria ocorrer é o oposto: atrair as pessoas e a presença do poder público à região. A efetiva e duradoura revitalização do Centro não pode ser promessa vazia, deve ser um compromisso com a cidade.
O poder público deve fazer do Centro de Vitória um local seguro onde as pessoas se sintam à vontade para o consumo, para o trabalho, para o lazer, enfim, para viver.