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É psicóloga, psicanalista, entusiasta da maternidade, paternidade e mestre em Saúde Coletiva. Escreve sobre os bebês, as emoções, os comportamentos, os conflitos e dilemas contemporâneos do tornar-se família

Veja o que podemos fazer para facilitar a perda de peso da criança

Uma criança acima do peso é algo que prejudica seu desenvolvimento e compromete muitos aspectos da sua vida adulta no futuro

Publicado em 08/11/2021 às 02h00
As brincadeiras possuem um objetivo de socializar e interagir
Outro alicerce para a perda de peso na infância é promover o movimento. Isso mesmo, não tem como ser saudável sem correr, brincar, pular. Crédito: Reprodução/Freepik

Pergunta: Meu filho tem 9 anos e engordou 10 quilos durante o ano passado. O pediatra orientou a fazer uma dieta. Mas estamos tendo dificuldades. Ele chora e reclama por não comer doces e biscoitos. O que podemos fazer para facilitar esse processo?

Os últimos dois anos foram especialmente difíceis para as crianças de todas as idades que se viram confinadas em casa, sem a escola, sem poder encontrar os amigos, os avós, tios e primos. É típico da natureza humana, quando se vê privada de uma satisfação, recorrer a outra. E a satisfação oral, expressada no hábito alimentar, é sem dúvida a que mais se expressa, quando não podemos usufruir da outras.

A banda de rock Titãs, muito famosa nos anos 80 tem uma música que diz: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Na infância não é diferente. O apetite do pequeno ser humano não se limita apenas ao alimento. A criança se nutre pela vida social, a escolar, a familiar, a comunitária, a religiosa. São muitos os alimentos que constituem os seres humanos no começo da vida.

Mas quando estamos limitados desses trânsitos sociais tão importantes, não tem escapatória. Vamos direcionar nossos desejos à satisfação mais à mão, ou melhor à boca, que é comer. Nunca na história da humanidade os alimentos estiveram tão ao nosso alcance. O repertório da alimentação humana é na atualidade globalizado, não existem mais fronteiras. E com a industrialização, com a conservação dos alimentos o modo como nos relacionamos com a comida mudou. Antes era necessário esforço físico para comer. Era necessário caçar, pescar, ou plantar, e ainda sim preparar para só depois comer. Hoje é necessário abrir uma embalagem, apenas.

O fotografo americanos Gregg Segal viajou por nove países fotografando crianças de diferentes culturas e os alimentos consumidos por elas. Esses registros deram origem ao livro “Daily Bread: What Kids Eat Around the World”, algo como, “O pão de cada dia: O que as crianças comem ao redor do mundo” (tradução minha). O que chamou a minha atenção nessa obra foram as crianças brasileiras, é claro. Ele fotografou 4 crianças (Kawakanih, 9 anos, do Alto Xingu; Davi, 12 anos e Henrico 10 anos, ambos de Brasília, mas de classes sociais diferentes e Adenilson, 11 anos, de Goiás). No Brasil temos uma enorme gama de variedades alimentares, e de acesso.

Infelizmente a pandemia, abriu uma cicatriz profunda e não curada no Brasil: o abismo alimentar entre as classes sociais. Nos últimos anos, os índices de desnutrição e diminuição no acesso alimentar das crianças mais pobres tem voltado a acontecer. O que é preocupante.

Eu tenho certeza que você quer saber o que fazer para seu filho ser saudável. Uma criança acima do peso é algo que prejudica seu desenvolvimento e compromete muitos aspectos da sua vida adulta no futuro.

A perda de peso se dá por dois caminhos: reduzir a ingestão de calorias, ou seja, reduzir os doces e biscoitos. Regular a quantidade do que é ingerido e privilegiar os alimentos mais naturais e menos processados possíveis. Outro alicerce para a perda de peso na infância é promover o movimento. Isso mesmo, não tem como ser saudável sem correr, brincar, pular. A criança precisa se movimentar.

Na pandemia muitas famílias levaram ao pé da letra o “fica em casa”, mas era bastante possível e necessário sair diariamente com as crianças para um passeio, para que pudessem gastar a energia condensada pelas paredes do lar. Pais e mães são os responsáveis pelo que se compra de alimento na casa, então nada mais oportuno que todos mudem os hábitos. Tenho certeza que você, mãe, também deve ter “ganhado” uns quilinhos extras. Que tal ao mudar o repertório alimentar, incluir a cozinha como ponto de encontro da família? A criança vive pelo exemplo.

Vamos substituir os joysticks dos vídeo games por facas e panelas? Por voltas de bicicleta ou pelo pique-pega com os primos ou com os amigos? Gosta de hambúrguer, vamos fazê-los em casa, além de ser mais saudável, estimula a convivência familiar, o compartilhamento de memórias e a transmissão dos saberes sobre o cuidar de si e dos outros. Os biscoitos são uma delícia, vamos juntos, fazê-los no sábado à tarde para o lanche. Mexer mais e desembalar menos, esse é o mantra.

Sabe o bolo de chocolate? Ele é muito bem-vindo, desde que as claras sejam batidas à mão. E no final se todos ajudarem a lavar e guardar as louças, eu tenho certeza que o ganho e a perda calórica estarão equilibrados.

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Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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