Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

Poema e poesia, para entender as diferenças

Um tropeço do acaso fez com que chegassem até mim os textos de um jovem escritor, ainda sem livro publicado. O nome dele é Lucas. Lucas Trevezzani. É estudante de Letras, na Ufes

Públicado em 

06 jun 2023 às 00:20
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Quem não conhece o ditado “de músico, poeta e louco, todos nós temos um pouco”? Pois isso está mais que provado. Basta ver o mar de poemas que bate nas praias literárias de agora. Muita resposta já foi dada para esse fenômeno: talvez porque publicar ficou muito mais fácil com as tecnologias; talvez porque seja uma forma de chamar atenção para si; talvez porque sirva para tirar proveito da mania identitária que assola o país etc. Eu cá, não sei nem quero explicar.
O que posso dizer é que todo mundo tem direito a cometer seus versos. Mas, na multidão de poetas de agora, pouco vão além disso. A maioria acredita piamente na inspiração; uns poucos acreditam na transpiração. Para muita gente, escrever um poema funciona como se as palavras e as ideias despencassem do céu, por obra e graça de alguma deidade divina.
Para uma minoria, mais comprometida com a profissão de escrever, quem cria um poema precisa fazer uso de procedimentos inventivos, empreender um trabalho de artesania, por vezes repetitivo e exaustivo. Mesmo assim por demais prazeroso. São poucos os que atuam desse último modo. “Seriam talvez uns dois em mil”, eu diria parodiando uma frase da extraordinária Wislawa Szymborska, ela mesma um ponto de luz na imensidão de “bardos menores”, que é como Nelson Archer define certas pessoas afoitas em produzir o que chamam de “poesia”.
Não é novidade que o senso comum costuma aplicar o termo “poesia” a um tipo de expressão textual em forma de versos. Nos domínios da poética, porém, cabem todos os modos de expressão, sejam literários, como romances, contos, poemas; sejam outros afazeres artísticos, como fotografias, pinturas, música e filmes. Daí se deduz que a palavra poesia é mais abrangente que a palavra poema. Os poetas que conhecem seu ofício entendem bem isso. Para eles, a poesia é uma forma de se situar diante do mundo.
Ler os poemas de alguém que escapa da geleia geral da supersafra de versejadores, atualmente invasores do quintal da Mãe Literatura, é um refresco aos olhos e um consolo à mente e ao coração. Aconteceu comigo. Um tropeço do acaso fez com que chegassem até mim os textos de um jovem escritor, ainda sem livro publicado. O nome dele é Lucas. Lucas Trevezzani. É estudante de Letras, na Ufes.
Os poemas de Lucas repartem-se entre a escolha das palavras e a cadência do ritmo, atam laços entre a realidade e a fantasia. São uma revelação evidente da consciência literária do ofício. Se não me enganam a probabilidade e a sensibilidade, encontrei um poeta.

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Solange Couto entra para lista de maiores rejeições do BBB; veja ranking
Imagem de destaque
A guerra entre EUA, Israel e Irã: um pequeno histórico
Imagem de destaque
Pazolini renuncia ao cargo de prefeito de Vitória para disputar eleição

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados