Há pouco mais de um ano no mercado e há cerca de seis meses comercializando seu produto, a startup Brota Company, que tem o capixaba Rodrigo Farina como um dos sócios, já está colhendo resultados promissores e entrou no radar de investidores que veem o potencial da empresa, responsável por desenvolver um modelo de horta residencial inteligente.
Os três sócios da Brota - os universitários Rodrigo Farina, Juan Corrêa e Bruno Arolca - criaram um sistema que garante mais autonomia para o desenvolvimento das plantas.
O modelo funciona da seguinte forma: a empresa vende uma cápsula, com um solo preparado com as quantidades adequadas de nutrientes para a semente germinar. Essa cápsula deve ser inserida em um recipiente, que, na sequência, vai receber a água. Uma vez que o reservatório foi molhado, é só esperar a planta crescer e regá-la novamente 25 dias depois. "É uma espécie de máquina de café das plantas", comparou Farina.
A ideia e o olhar para o futuro do meio ambiente, com a aplicação de práticas sustentáveis, fizeram inclusive com que a Brota se destacasse em uma competição internacional voltada para jovens empreendedores, como foi noticiado pela colega Renata Rasseli em sua coluna.
O estudante de engenharia Rodrigo Farina venceu a etapa Brasil do Global Student Entrepreneur Awards (GSEA) 2021, que a Entrepreneurs Organization (EO) realizou no último dia 26. A próxima fase da competição vai ser em setembro, quando será escolhida a melhor ideia entre os participantes do mundo todo.
Além da expectativa para a disputa com projetos de vários países, os sócios também se prepararam para uma potencial negociação junto a investidores interessados em aportar recursos na startup.
De acordo com Farina, a empresa já está em conversas com um fundo de investimentos e a previsão é que, até o final do primeiro semestre deste ano, o negócio seja consolidado.
"Vemos essa possibilidade de aporte com muito bons olhos, uma vez que isso permitiria acelerarmos alguns passos e planos da empresa. O que faríamos em cinco anos, poderíamos fazer em dois com a participação de um fundo"
Até então todos os recursos aplicados na empresa foram por meio dos próprios sócios, que no início do negócio chegaram a fazer tirinhas sobre finanças para vendê-las a R$ 10 cada e o dinheiro ajudar nos testes para o desenvolvimento do produto. Mesmo sem nenhum tipo de financiamento, depois que a empresa começou a rodar, ela se tornou sustentável financeiramente.
"Estamos caminhando com as nossas próprias pernas e conseguimos um negócio rentável desde o início. Até agora, vendemos mais de 12 mil unidades do produto e tivemos um faturamento de cerca de R$ 4 milhões", afirmou Rodrigo Farina.
Por enquanto, a empresa oferece 14 tipos de plantas, entre temperos e chás. A previsão é que até meados deste ano outras 14 opções de cápsulas estejam disponíveis. O sócio capixaba explica que o objetivo é trabalhar para que todas as plantas possam ser cultivadas de forma simples e prática em pequenos espaços.
Segundo ele, a meta é chegar a 2030 com esse objetivo cumprido. "Queremos que todo o tipo de alimento possa ser produzido em casa, em um condomínio e em áreas que até então não eram utilizadas para esse fim. Esperamos levar a Brota para 70 mil casas nos próximos anos. Acreditamos que o mundo vai mudar e será preciso plantar dentro da área urbana, e a sociedade vai exigir que isso seja feito de forma sustentável", frisou Farina.
As vendas das plantinhas inteligentes têm acontecido para diferentes partes do Brasil, com destaque para cidades do Sul e do Nordeste. Entre os clientes, há um equilíbrio quanto ao gênero. Segundo o engenheiro, 50% dos pedidos são de mulheres e 50% de homens.