Quando Portocel começou a operar, em 1978, seu principal objetivo era escoar a produção de celulose. De Aracruz, os produtos florestais passaram a ser enviados para os mercados asiático, europeu e norte-americano e, ao longo de quatro décadas, o porto - atualmente sob a gestão das empresas Suzano (51%) e Cenibra (49%) - se tornou uma referência mundial.
Agora, Portocel busca se consolidar não apenas como modelo e sinônimo de eficiência no embarque de celulose. O objetivo é se destacar também como um terminal multicargas e atender clientes tanto do Espírito Santo como de Estados vizinhos, a exemplo de Minas Gerais e Bahia.
A coluna conversou com o gerente executivo de operações portuárias, Alexandre Billot Mori, que falou sobre os projetos previstos para 2021 e explicou de que forma o negócio quer se firmar como uma solução logística na área portuária.
"Portocel é um ativo que tem diversos modais e um ativo que pode sim se posicionar como uma solução logística, não só para produtos florestais como inclusive para poder apoiar em alguns gargalos que a gente enxerga enquanto setor"
Um dos segmentos que é a grande aposta nessa diversificação é o de rochas ornamentais. Portocel quer estreitar a relação com o setor e colocar o porto como opção para movimentar blocos e chapas de mármore e granito. Atualmente, muitas companhias do ramo esbarram na defasada infraestrutura capixaba, o que faz com que os produtos circulem pelas rodovias federais e sejam enviadas ao exterior a partir de portos do Rio de Janeiro e de Santos.
"Em 2021 o desafio é ser visto e reconhecido pelo setor de rochas como uma solução logística para a movimentação desse produto. Já fizemos essa movimentação no passado e nos adaptamos super bem e hoje estamos preparados para todas as questões de interface, de comunicação, de gestão sobre aspectos de informação do produto. Acredito que pode ser um belo de um casamento de longo prazo e é nesse sentido que pretendemos nos posicionar."
Mori, que está em Portocel desde 2005 e no cargo atual desde o início de 2019, falou ainda nesta entrevista sobre os investimentos previstos e qual o estágio do projeto de expansão do porto. O executivo também lembrou o desafio enfrentado no ano passado, em virtude da pandemia do novo coronavírus, e adiantou à coluna alguns dos planos de Portocel para este ano. Confira.
Hoje como Portocel está posicionado no mercado, quais são as principais atividades?
Temos um propósito que é o de ser reconhecido como referência em logística portuária dedicada. Já há algum tempo, por conta de processos de inovação, processos de investimentos no nosso quadro de colaboradores e questões relacionadas à infraestrutura, temos obtido resultados extremamente satisfatórios de ganhos de excelência operacional. Esses ganhos trouxeram uma oportunidade de otimizar ainda mais esse ativo. Um ativo com diversos modais e um ativo que pode sim se posicionar como uma solução logística, não só para produtos florestais como para apoiar gargalos que enxergamos enquanto setor.
Gargalos de infraestrutura, da nossa defasagem logística?
Isso. Temos nos desafiado e trabalhado para ter ganhos de produtividade ainda maiores dentro do ativo e assim gerar disponibilidade para a movimentação de cargas. Para isso, trabalhamos fortemente nas questões de inovação, em equipamentos, em sistemas de gestão portuária. Além disso, investimos em pessoas. Temos programas de desenvolvimento interno para mapeamento e desenvolvimento do time administrativo e operacional, assim como para o desenvolvimento de líderes.
O que foi feito para o porto alcançar esses resultados de melhoria operacional?
Nos últimos dois anos fizemos uma recuperação de ativo. Recentemente, por exemplo, aumentamos o calado do porto. Isso foi possível a partir de um processo que contou com apoio e interlocução dos entes públicos e autoridades portuária e marítima na figura da capitania, da praticagem. Alteramos a prescrição de Portocel nos permitindo atrair navios que até então não poderiam chegar ao porto. Eu diria que chegamos a esses resultados com base em três pilares: inovação, preparação de pessoas e infraestrutura.
Essa melhoria operacional tem o objetivo de atender as cargas de celulose e florestais e também movimentar itens de outros segmentos?
Estamos sim nos posicionando e sendo inclusive solicitados pelos acionistas [Suzano e Cenibra] para que o porto, além de movimentar toda a carga deles, se posicione enquanto solução logística. Queremos ser reconhecidos como referência em logística portuária dedicada. E entendemos que esse reconhecimento tem que vir de todas as partes: da sociedade, da comunidade no nosso entorno, dos clientes, dos parceiros e dos fornecedores.
"Temos nos posicionado enquanto um site de negócios. Alguém que quer atuar de uma forma mais ativa, diferentemente do conceito do surgimento do porto lá no início, enquanto um elo da cadeia logística e para atender a uma necessidade de escoamento de um produto"
Essa solução logística é focada no Espírito Santo?
Eu tenho uma visão muito positiva da região, do que tem acontecido em Aracruz enquanto um possível polo logístico que apoie muito o Espírito Santo em soluções. Mas não só o Espírito Santo, como também regiões do sul da Bahia e do Noroeste de Minas Gerais, que hoje enfrentam gargalos para escoamento dos produtos. Eu fico com a sensação e o desejo que esse belo site aqui seja visto com muito carinho porque ele pode sim se posicionar como uma solução não só para o Espírito Santo como para vários outros Estados.
Como o senhor citou, Aracruz vem se consolidando como um polo portuário. Portocel já está há mais tempo, tem Jurong, Imetame, tem a área da Codesa. Como Portocel avalia essa consolidação da região? Isso é bom para empresa ou atrapalha por ter mais concorrentes, ainda que não tão diretos?
Dentro de qualquer desdobramento da nossa estratégia, sempre olhamos a esfera comercial, novos negócios e também o espectro concorrencial. Só que sempre nas nossas análises e desdobramentos, eu, enquanto executivo, fomento uma discussão interna que a concorrência é positiva. Assim, nos desafiamos internamente de modo a sermos reconhecidos como referência logística. E para o setor acho que a concorrência é louvável.
As empresas ganham dentro de um processo de concorrência sadia porque é a partir disso que acontecem os processos de inovação e desenvolvimento. Penso que ganha a sociedade e o entorno aqui por conta das oportunidades de emprego, de arrecadação e de desenvolvimento. E ganhamos enquanto economia e solução para nosso Estado e para outros vizinhos que não têm a facilidade do escoamento portuário. Então, vejo como um processo positivo.
Portocel movimenta anualmente cerca de 9 milhões de toneladas. Como está a distribuição dessas cargas?
Dentro do volume de 9 milhões de toneladas quase a totalidade está relacionada à celulose, eucalipto, madeira. O que temos aqui hoje é uma movimentação de aproximadamente 200 mil toneladas de produtos siderúrgicos porque somos o exportador de toda a produção da ArcelorMittal de João Monlevade. Além disso, fizemos em 2020 alguns movimentos de nos posicionarmos para o setor. Fizemos contatos com o pessoal de rochas, porque acreditamos que podemos sim ter a movimentação desse produto aqui.
Movimentar rochas ornamentais é uma perspectiva para 2021?
Imaginávamos que 2020 seria o ano de uma bela virada de chave. Mas infelizmente a pandemia surgiu e percebemos que o mercado ficou bastante restritivo. Mas seguimos apostando em 2021, como na área de rochas ornamentais e também no fortalecimento do setor siderúrgico, que são produtos que vemos que o Espírito Santo hoje movimenta.
Portocel já movimentou rochas ornamentais?
Fizemos operações no passado, essas operações foram extremamente positivas e viáveis. Queremos fazer a movimentação desses produtos dentro de um padrão diferente. Acreditamos que esse produto pode ser movimentado e deveria ser por modal ferroviário. Temos aqui na área do porto a chegada de ramal ferroviário. Acreditamos que, com isso, há toda uma retirada de caminhões das vias, e um transporte mais seguro, além de mais eficiente. Então, temos um projeto para olhar a construção e a adaptação de uma área em Portocel para o escoamento neste formato. Tínhamos a ideia de implementá-lo em 2020, mas, muito por conta da questão de pandemia, seguramos.
Acreditamos que uma solução para este setor [de rochas ornamentais] é um terminal que consiga prover as duas condições, que essa carga consiga chegar até ele pelo modal rodoviário, que é hoje como acontece quase que na totalidade dos processos de exportação, mas, além disso, queremos oferecer a opção da ferrovia. E aí também por conta de um trânsito de navios que já chega em Portocel para o carregamento de celulose, que essa combinação possa acontecer.
Portocel está aberto a movimentar outros tipos de cargas?
Dentro dos processos e estudos de viabilidade, por que não? Percebemos que tem toda uma dificuldade da região de Minas Gerais com a questão da movimentação do agronegócio, de fertilizantes. Então, precisa para que tudo isso se torne viável, e aí não é só para Portocel enquanto porto, mas acredito para o complexo portuário capixaba, precisa ter uma condição de chegada desse produto. E não dá para pensar isso sem que se pense em investimentos na malha ferroviária, na malha rodoviária. A questão da malha ferroviária, por exemplo, de conectar a malha que chega aqui no Espírito Santo com as outras, e aí temos a discussão da Serra do Tigre, onde todo o produto para chegar aqui tem que fazer transbordo e acaba inviabilizando, de forma que um produto lá do Sul de Minas vá sair por Rio de Janeiro ou Santos. Então, precisamos fazer sim essas discussões e temos que discutir a questão da infraestrutura. Não a portuária instalada, porque isso vejo que está bem estabelecida, mas discutir como fica essa conexão.
Portocel tem um projeto de ampliação robusto, que já foi exposto para a sociedade há alguns anos. Qual o estágio dele?
O projeto de expansão Portocel II, que é uma construção de outros 4 berços, continua no nosso radar. Continua buscando licenciamento ambiental para ter as licenças de instalação e operação. A verdade é que hoje projetos dessa envergadura sofrem com a questão da disponibilidade de cargas e produtos, aí é uma condição nossa enquanto sociedade e país. Nossa atividade econômica infelizmente enfrenta algumas dificuldades. Hoje, enquanto Portocel, podemos dizer: estamos prontos para movimentar tranquilamente mais 2,5 milhões de toneladas. Então, hoje é escoar todo esse produto dos acionistas, que são os 6 milhões de toneladas mais essa movimentação de madeira e etc que dá os 9 milhões, mas ainda assim ter uma movimentação adicional de mais 2,5 milhões de toneladas. Para isso, estamos pronto. É mais uma questão de demanda do mercado, e é nesse sentido que temos aberto essa discussão com todos os setores.
Então, o projeto continua sendo tocado pelos acionistas...
Continuamos monitorando todas as movimentações de mercado, de produtos para poder perceber como estão se comportando as necessidades e as demandas. Seguimos com o órgão ambiental na questão dos licenciamentos e continuamos monitorando através de estudo de carga como está a questão da movimentação. Eu diria que abrimos duas frentes. Sabemos que a questão de projetos portuários são projetos de longo prazo. Eu acredito que na hora em que a economia acelerar, aqueles que estiverem melhor posicionados enquanto solução portuária certamente serão aqueles eleitos para o escoamento porque o tempo de resposta que outros buscarão poderá ser tardio. Aquele que já estiver instalado e vendo isso, o comportamento dessa curva, terá ganhos nesse aspecto concorrencial enquanto novos negócios.
Qual a segunda frente?
Continuamos com projetos internos de otimização e ganhos de produtividade pautados naqueles três pilares que eu citei para poder abrir espaço dentro da infraestrutura que hoje já está disponível. Então, lá no passado, não se falava de, dentro dessa estrutura que hoje está aqui, movimentar mais 2,5 milhões de outras cargas.
"São os dois movimentos que estamos fazendo. Uma busca constante da excelência interna e otimização máxima do ativo que está instalado, além das novas oportunidades enquanto negócio e, aí sim, nesse contexto, projetos de expansão geográfica, por que não?"
Pode falar um pouco mais sobre esse projeto de expansão? O que ele prevê?
O projeto previa de uma forma faseada, a construção de 4 berços de operações de navios, mais o aumento de toda uma retroárea para daí se posicionar. Então, Portocel passaria a ter além dos três berços para a operação de navios que já possui mais outros quatro e um aumento considerável em toda a sua retroárea.
Quais são os investimentos previstos por Portocel?
Os investimentos que temos no radar são os projetos de investimento dentro do site como está. Estamos falando em um patamar de aproximadamente R$ 20 milhões, olhando para 2021. É a questão da instalação de equipamentos, melhorias de pátios, investimento em algumas questões relacionadas à tecnologia. Nos próximos anos, o patamar de investimento, enquanto otimização do negócio, gira na casa dos R$ 20 milhões anuais. Se formos olhar para o projeto de expansão, que é aquele projeto maior, em números anteriores de referência ele ficava na casa de bilhão. Vai para outro patamar de investimento. Um projeto como esse se fala na ordem de quase 600 empregos ao ser finalizado e, durante a construção, picos de quase 2 mil pessoas.
Em 2018, houve a mudança de Fibria para Suzano, então, Portocel passou a ter como acionistas a Cenibra e a Suzano. Essa reestruturação representou alguma mudança cultural ou de gestão, diretrizes, trouxe impactos para o porto?
Como um processo de fusão, eu diria que a cultura Fibria e a cultura Suzano, a ex-Suzano, está se formando dentro de uma nova Suzano, que aqui nós muito nos orgulhamos de ter enquanto acionista, que é exatamente a combinação das pessoas dessas duas empresas anteriores. Ficamos observando que baita de empresa está sendo formada, estabelecida. Dá muito orgulho. E aí o desafio é sempre naquela condição de otimizar ao máximo os processos que existem, que já eram uma fortaleza enquanto Fibria, mas também aparece muito forte agora, de um processo de excelência contínua, com foco na inovação e na melhoria de processos, além de excelência operacional. O que também é um desejo por parte da Cenibra. Estamos sendo desafiados o tempo todo a apresentar propostas que inovem o negócio, que tragam solução, que otimizem o ativo e aí essa otimização vem não só para redução do custo das operações deles mesmos, com eficiência, mas um retorno do ativo-investimento que fizeram aqui ao longo dos 40 anos através de dividendo com movimentação de outras cargas e produtos. O mandato que temos aqui é melhorar os níveis de excelência que tínhamos em relação ao produto celulose, mas, ainda assim, nos desafiarmos a otimizar o ativo para buscarmos novos produtos, nos posicionarmos enquanto solução em logística para o setor.
Como Portocel lidou com o ano de 2020, que trouxe tantas incertezas para os diversos setores?
Em março, me lembro bem do dia 17. Me recordo bem que uma primeira reflexão que fizemos enquanto gestão de crise e inteligência de negócio foi que erramos nos nossos sinalizadores. Por quê? Porque a imaginávamos, e acredito que boa parte das empresas e nós enquanto sociedade, que essa pandemia não chegaria como chegou. Vínhamos em movimentos de pré-crise e monitoramento desde dezembro e imaginávamos que esse processo não seria tão abrupto quanto foi. Exatamente em 17 de março, 100% do nosso quadro administrativo foi colocado em home office. Isso tendo que prover desde infraestrutura na casa das pessoas, e aí as básicas: mesa, cadeira, notebook, internet, até revisitar processos inteiros. Então, no dia 17 de março colocamos todo mundo em casa e tínhamos o desafio de garantir a saúde e segurança de todos aqueles que estavam aqui entrando no terminal. Esse era o nosso primeiro movimento. Não só prover essa saúde e segurança, mas que as pessoas percebessem fortemente isso. Porque como atividade essencial, tínhamos que continuar operando, tínhamos que continuar escoando a nossa celulose para que ela voltasse depois enquanto papel higiênico, embalagem de medicamente, etc. O segundo movimento foi: precisamos garantir que com essa pandemia a gente não sofra um apagão, quer seja de suprimentos, de chegada de insumos e assim por diante, pessoas disponíveis para trabalhar.
"Nos articulamos enquanto comitê de gestão de crise e superamos essa etapa. Aí conseguimos manter o porto operando, não tivemos redução de volume, tivemos sim a questão do mercado para outras cargas com certa desaceleração, mas, enquanto negócio dentro das bases orçadas que tínhamos para Portocel, fico feliz em dizer que conseguimos atender"
Como ficou a movimentação de cargas em 2020?
A movimentação de cargas ficou estável e teve um aumento no último trimestre de 2020. Fechamos 2020 com um volume de cargas maior do que o que estava orçado, 150 mil toneladas de celulose a mais. Então, dentro dos 5,6 milhões, chegamos perto de quase 5,8 milhões, em um ano atípico e bastante desafiador.
Quais são as perspectivas para 2021?
Olhando para 2021 continuamos dentro das bases orçadas com volumes chegando perto de 6 milhões de celulose. E queremos movimentar rocha ou granito. No ano de 2021, queremos nos posicionar para o setor como de fato uma solução. Em 2021 o desafio é ser visto e reconhecido pelo setor como uma solução logística para a movimentação desse produto. Já fizemos essa movimentação no passado, nos adaptamos super bem e hoje estamos preparados para todas as questões de interface, de comunicação, de gestão sobre aspectos de informação do produto… Acredito que pode ser um belo de um casamento de longo prazo e é nesse sentido que pretendemos nos posicionar.
Mas é um ano que tende a continuar instável...
É claro que é um ano ainda incerto. Estamos acompanhando a questão da vacina, que traz um alento, mas ainda tudo é muito novo. Ainda ficamos observando discussões enquanto economia de maneira geral. As propostas do governo precisam ser discutidas e aprovadas. Vimos que ficamos um ano sem tratar disso, das reformas administrativa e tributária, e o quanto seria positivo que esses temas fossem tratados até para ajudar a acelerar esse processo de retomada. A expectativa é que essas discussões aconteçam em 2021 para que talvez a pandemia saia do nosso foco principal enquanto gestão do negócio inclusive, porque hoje o tema é recorrente, para que possamos falar de boas notícias que é uma retomada da atividade econômica de maneira geral.
Qual o principal desafio para o setor e para Portocel em 2021?
Não dá para falar de 2021 sem falar em pandemia e integridade da saúde das pessoas porque temos a certeza que só é possível entregar resultados através das pessoas, então, está no nosso radar e continuamos olhando. Superada a pandemia, permaneceremos com investimento maciço em pessoas, em processos de tecnologia e inovação para continuar sendo diferencial na movimentação de produtos florestais, mas também levar isso para outros setores e produtos. Queremos ser vistos não só como um porto de movimentação de celulose e produtos florestais. Esse é o meu desafio. É que Portocel continue a trilhar esse caminho de se posicionar como porto multicargas. Acreditamos nisso sim e penso que é extremamente possível e factível. Enquanto executivo, o desafio é buscar cada vez mais a excelência operacional e maximizar o retorno desse ativo para os acionistas.
"Queremos ser vistos não só como um porto de movimentação de celulose e produtos florestais. Esse é o meu desafio. É que Portocel continue a trilhar esse caminho de se posicionar como porto multicargas"