A divulgação nesta terça-feira (15) do Indicador de Atividade Econômica do Espírito Santo (IAE), elaborado pela Federação das Indústrias (Findes), trouxe dados e informações importantes e que nos ajudam a entender o que aconteceu com a economia do Estado nos últimos meses e para onde estamos indo.
Entre as informações principais do estudo estão a queda de 12,3% do PIB capixaba no segundo trimestre deste ano na comparação com igual período de 2019 e o desempenho ruim dos segmentos da indústria, que recuou 23,9%, de serviços (-10%) e da agropecuária (-4,8%), os três considerando a mesma base temporal comparativa.
Todos esses setores foram duramente impactados pelo avanço do novo coronavírus e o período analisado reflete justamente os meses em que o Estado e o país enfrentaram o auge da pandemia no que diz respeito às medidas de isolamento, que foram (e realmente assim deveriam ser) mais restritivas.
Fato é que acumulamos nos meses de abril, maio e junho uma queda de dois dígitos, recuo que foi inclusive maior do que o contabilizado no país no mesmo período, de -11,4%. Aliás, em todas as bases comparativas apresentadas pelo IAE (que é uma espécie de prévia do PIB capixaba), o Espírito Santo performou abaixo do Brasil.
Olhando por essa ótica a notícia é péssima, mas no fundo não chega a surpreender. Nenhum economista ou analista tinha a esperança que o cenário fosse diferente. A boa notícia é que especialistas já veem uma condição melhor neste segundo semestre de 2020. Não há de se falar em otimismo, mas em uma retomada que, para o Espírito Santo, pode inclusive chegar mais rápida do que para o restante do país.
A presidente da Findes, Cris Samorini, e o economista-chefe da Federação e diretor-executivo do Ideies, Marcelo Saintive, acreditam que essa deva ser a trajetória do Estado. Em função da forte ligação com o comércio exterior, a economia capixaba passa a ter mais condições de se recuperar, uma vez que ela tende a acompanhar países da Ásia e da Europa, que estão alguns meses “à frente” do Brasil no processo de retomada pós-Covid.
"Como a indústria do ES é sensível ao cenário externo, um aumento de demanda por commodities industriais pode impactar positivamente a produção da indústria do Estado, inclusive já podemos notar uma melhora nas exportações de minerais metálicos"
Além da característica de abertura de mercado, o Espírito Santo tem a seu favor a situação fiscal e o bom ambiente de negócios, condições que dão mais segurança ao investidor e podem ajudar a economia local a se recuperar mais rapidamente e a sairmos na frente de outros Estados brasileiros. Fora que alguns projetos estão engatilhados e serão determinantes na reversão dos números negativos, como espera Cris Samorini:
"Já percebemos que há avanços no 3º trimestre, que começou com uma economia mais aquecida. Alguns setores, como o moveleiro, estão até realizando contratações para atender a demanda crescente. Além disso, temos projetos e investimentos de grandes empresas, como: Garoto, Biancogrês, TVV, Cacique, Karavan e o retorno da Samarco. Vemos um cenário positivo"
Também pode ser determinante para a volta do crescimento da economia capixaba - que teve os três últimos trimestres negativos, ou seja, encontra-se em recessão - o plano de retomada que vem sendo construído a muitas mãos.
O programa, que tem o governo do Estado e própria Findes como protagonistas, ainda não foi detalhado, mas, segundo adiantou a presidente da federação, ele terá um foco importante na infraestrutura, área que além de ser tradicionalmente geradora de empregos, pode criar um passaporte para um Estado mais competitivo.
O diagnóstico dos setores e os números da prévia do PIB apresentados pelo IAE são fundamentais para compreendermos o cenário capixaba, mas medidas que ajudem a reestruturar a nossa atividade econômica são ainda mais relevantes. Como a coluna apurou, elas estão sendo planejadas entre instituições públicas e privadas. Precisamos agora é que sejam colocadas em prática o mas rápido possível.