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Guerras

Se eu soubesse então o que sei agora

Enquanto sociedade global, a humanidade vive desconfortos com circunstâncias que vêm de muito tempo e cujos enfrentamentos foram postergados em função de interesses econômicos de alguns poucos grupos

Publicado em 02 de Novembro de 2023 às 00:30

Públicado em 

02 nov 2023 às 00:30
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi
Frase antiga e que de certa forma demonstra equívocos cometidos no passado em função de pouca informação ou de circunstâncias à época pouco claras. Aplica-se tanto a indivíduos quanto a sociedades.
Enquanto sociedade global, a humanidade vive desconfortos com circunstâncias que vêm de muito tempo e cujos enfrentamentos foram postergados em função de interesses econômicos de alguns poucos grupos. Interesses que manipulam a geopolítica mundial e que cada vez mais ampliam o sofrimento humano de todos os lados envolvidos em guerras explícitas e implícitas ao longo de décadas.
Foi assim no caso da invasão do Iraque por forças coordenadas pelos Estados Unidos. Líderes como Hillary Clinton, do Partido Democrata estadunidense, e Harriet Harman, vice-líder do Partido Trabalhista inglês, se arrependeram de terem apoiado a invasão sob a alegação de que esta se deu sem o conhecimento total dos fatos.
Ao que tudo indica essa também será, no futuro, a justificativa de líderes mundiais para equívocos e omissões no presente com relação ao genocídio que vem ocorrendo na Faixa de Gaza. Equívocos cometidos por potências mundiais que veem o conflito como mais uma oportunidade para ganhos financeiros para quem especula com armamentos, medicamentos, alimentos e commodities.
Omissões que bloqueiam toda e qualquer iniciativa de cessar fogo e busca de diálogo entre as partes. Seja na Organização das Nações Unidas, seja através de esforços de lideranças mundiais que buscam encaminhamentos possíveis para o término de atrocidades na região. Em ambos os casos, sobressaem iniciativas da diplomacia brasileira sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Equívocos e omissões que se dão à luz do dia, sem qualquer pudor por parte das forças de ultradireita que hoje dominam o governo de Israel. Suas intenções são abertamente declaradas através da imprensa mundial. Segundo o Ministro das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), “... a ênfase é em destruição e não em precisão quanto a alvos.” Outra autoridade do IDF prevê que “... Gaza será eventualmente uma cidade de barracas; não haverá edificações permanentes”.
Às ações de punição coletiva via falta de acesso de pessoas inocentes a água, comida, energia e medicamentos, soma-se o bombardeio indiscriminado de áreas civis; tudo, absolutamente tudo injustificável do ponto de vista humanitário. Menos ainda diante do ensinamento ético de Mahatma Gandhi: “... a persistir o dente por dente, olho por olho, acabaremos todos banguelas e cegos”.
O que fazer diante de tanta atrocidade e de tanta hostilidade a qualquer movimento que busque a negociação entre as partes envolvidas no conflito, que vão muito além de Israel e dos palestinos? Sensibilizar-se com a falta de pudor da guerra, dos que a promovem e dos que a sustentam através de noticiário enviesado e que alimenta o bem versus o mal; o oito ou oitenta como se as relações humanas individuais ou coletivas fossem subordinadas a lógicas binárias.
Entre o bem e o mal, existem posições intermediárias que devem ser exploradas. Entre o oito e o oitenta, existe o dezoito, o quarenta-oito, e tantos mais. Conversar sobre isso, sem qualquer pretensão de ‘resolver o problema’, pode ser um passo na direção de fortalecer o humano que habita cada um de nós.
E através dele ser solidário com o sofrimento de tantos inocentes envolvidos numa guerra que só interessa a poucos especuladores que sempre lucram a mais com conflitos bélicos.
PS.: artigo escrito sob inspiração de tantas manifestações pelo fim das atrocidades na Faixa de Gaza. Citações extraídas do artigo assinado por Owen Jones e publicado pelo jornal The Guardian em 24 de outubro último.

Arlindo Villaschi

Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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