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Sociedade

Passou da hora de resgatar a inteligência social capixaba

Esse descaso com a inteligência social – ainda que restrita à parte institucionalizada em centros de pesquisa e agências governamentais – pode ser sentida no dia a dia de questões ambientais, culturais e econômicas

Publicado em 13 de Junho de 2024 às 01:30

Públicado em 

13 jun 2024 às 01:30
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Aqui entendida como o conjunto de sabedorias e conhecimentos sistematizados ou tácitos de que dispõe uma sociedade para analisar criticamente o que a cerca e desafia, a inteligência social vem sofrendo perdas há muito tempo. Primeiramente, pela forma arrogante como o eurocentrismo sempre considerou os saberes oriundos de processos civilizatórios em todos os demais continentes.
Saberes, por exemplo, dos Abya Yala (termo que as organizações e instituições de povos indígenas adotaram para se referir ao continente americano) e dos africanos escravizados continuam marginalizados. São tratados com desdém por boa parte das instâncias de educação: famílias, escolas, igrejas e meios de comunicação de massa.
Em segundo lugar, a parcela da inteligência social constituída por conhecimentos sistematizados gerados segundo os padrões Ocidentais em universidades e institutos de pesquisas são crescentemente desconsiderados. Para além dos terraplanistas, essa desconsideração se dá cada vez mais pelo descaso como instâncias governamentais utilizam estudos e pesquisas.
Mesmo quando esses estudos e pesquisas são encomendados por elas próprias, essas instâncias usam seus resultados como mero objeto de marquetismo barato ou como volumes em prateleiras de gabinetes para dizer que questões pertinentes "já foram estudadas". Estudos que pouco dialogam entre si e que quase nada instruem políticas públicas para efetivamente enfrentarem a problemática de que tratam.
Planos diretores, relatórios de impacto ambiental, estudos sobre mudanças climáticas, riscos à biodiversidade e à diversidade cultural, dentre outros, cada vez mais fazem parte do elenco de peças de marketing do "faz de conta que alguma coisa está sendo feita". Esse descaso com a inteligência social – ainda que restrita à parte institucionalizada em centros de pesquisa e agências governamentais – pode ser sentida no dia a dia de questões ambientais, culturais e econômicas.
Vista aérea do Porto de Vitória, onde está a fábrica da TechnipFMC
Vista aérea da Baía de Vitória Crédito: Codesa/Divulgação
Quando acontece no atacado - como nos casos do crime da Vale em Mariana e do desastre que vem acontecendo no Rio Grande do Sul - esse descaso com a inteligência social é encoberto por todo tipo de justificativa veiculada pelos meios de comunicação social e redes sociais. O desmonte de estruturas de estudos, planejamento, regulação e controle feito sob a inspiração do ‘nada pode se colocar no caminho do crescimento econômico’ é, quando muito, tratado como um fato menor.
Esse desmonte vem sendo feito há muito em todos os níveis de governo. Executivo, legislativo e judiciário federal, estaduais e municipais, em sua grande maioria, se curvam aos interesses de lucros rápidos maiores com os menores custos possíveis. Lucros rápidos e crescentes a baixo custo financeiro para poucos com ônus sociais, ambientais e econômicos para a maioria da população.
Ônus para a maioria que precisam ser objeto de debates públicos para além do que emerge nos grandes veículos de comunicação. O que emerge, na maioria das vezes, é a exposição à exaustão de uma comoção até que uma outra surja aqui, lá ou acolá. Tudo feito para que a sociedade aceite como válidas as mudanças para que tudo continue como sempre foi.
O preço pago pela sociedade é muito alto. De todos talvez o maior seja uma geração imersa em um mundo distópico da qual foi retirado o direito a utopias. Ainda que essa utopia seja apenas um vida digna e um futuro que seja pelo menos igual ao pensado no passado; nem melhor nem pior.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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