Embargo econômico consiste na proibição oficial de exportar, importar ou participar de outras atividades econômicas com algum país específico. O embargo é uma sanção econômica, que resulta de cenários políticos desfavoráveis entre países, comumente imposto por um grupo de países aliados contra outro(s).
Os efeitos desse tipo de sanção são variados, podem mudar ao longo do tempo e sua efetividade nem sempre responde ao desejado pelas forças que o impõem.
Um caso recente de fracasso de embargo econômico enquanto instrumento de geopolítica foi o imposto à Rússia pelos Estados Unidos e seus aliados na Otan. Cerca de 300 bilhões de dólares (20% do PIB do país à época) em depósitos de Moscou no exterior foram congelados.
As exportações russas de petróleo (principal fonte de divisas), banidas. E as vendas de produtos de alta tecnologia para a Rússia, bloqueadas. Centenas de corporações ocidentais, que exerciam papel destacado na economia russa, deixaram o país.
O país deu-se conta de que tinha meios para reorganizar sua produção: imenso território, população de 125 milhões, recursos abundantes. Embora tenha despencado, em 2022, a atividade industrial recuperou-se muito rapidamente. O governo russo articulou a compra das indústrias fechadas As aquisições foram feitas em condições muito vantajosas e com financiamento público. A China jogou papel essencial, ao oferecer tecnologia, quando necessária.
Apesar do sucesso na implementação de diferentes estratégias que fossem capaz de superar o embargo econômico estadunidense desde a queda da ditadura Batista, o caso de Cuba apresenta resultados diferentes do russo por várias razões. Dentre elas, trata-se de uma economia pequena, com poucos recursos naturais disponíveis, com restrições energéticas e, pior talvez, muito próxima geograficamente da Flórida.
De maneira criativa soube substituir a dependência econômica da antiga União Soviética por uma economia de serviços baseados em suas belezas naturais e cultura e em conhecimentos desenvolvidos na área de cuidar das pessoas. Divisas geradas pela prestação de serviços nas áreas de turismo, saúde e pelas remessas de recursos de cubanos que trabalham no exterior, entretanto, foram incapazes de se transformar em compras no exterior de bens em função do embargo estadunidense. Entre esses destaque para alimentos, petróleo e insumos para a indústria farmacêutica essenciais para o bem-estar de sua população.
O embargo dos Estados Unidos contra Cuba é uma das medidas mais condenadas pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde todos os anos, desde 1992, é aprovada uma resolução contra a imposição estadudinense. As razões para condenar a medida variam bastante, e em muitos casos não representam um gesto de apoio ao governo cubano. No caso de muitos países europeus o ser contra o embargo indica uma contestação ao fato de que os EUA limitam a possibilidade de empresas de outros países a fazer negócios com a ilha ou de que esse embargo serve como um perigoso precedente de medidas unilaterais coercitivas.
Diante da pouca efetividade das resoluções aprovadas pela Assembléia Geral da ONU, os efeitos do embargo dos Estados Unidos tem sido muito mais de crueldade social do que de resultados econômicos. Crueldade que responde aos interesses eleitoreiros no estado da Flórida, tanto em nível local quando das eleições para a presidência da república. Lá residem e têm forte participação política descendentes dos que migraram para Miami e que se sentiram prejudicados quando da queda da corrupta ditadura de Batista.
À mercê do curral eleitoral da Florida fica o bem-estar da população cubana. Bem-estar construído ao longo dos anos com prioridades efetivamente implementadas em áreas essenciais como saúde, educação e cultura. Efetividade constatada por organismos internacionais que registram o caso cubano como caso de sucesso entre países das Américas. Efetividade que, no caso da saúde, foi registrada até pelo presidente Obama.
Num mundo consternado por guerras e atrocidades como as provocadas por Israel, com a cumplicidade de países líderes do Ocidente, contra o povo palestino, o caso de Cuba precisa ser relembrado como algo que envergonha a todos que se querem defensores de um outro mundo possível.