Os resultados de acordos internacionais sobre questões ambientais, de uma forma geral, e climáticas, de maneira específica, têm sido, no máximo, pífios. Primeiro, porque as discussões são longas e quando chegam a alguma conclusão tem sempre um país (geralmente entre os chamados mais desenvolvidos) que se recusa a assinar.
Segundo, porque acordos assinados são rapidamente desrespeitados ou sabotados por grandes empresas que entendem que interesses financeiros de seus acionistas correm riscos. Terceiro, porque os desrespeitos por parte de governos e de empresas ao que foi acordado repercutem pouco, quando repercutem.
Enquanto isso os pontos de não retorno vão chegando cada vez mais próximos e as ameaças de um colapso climático que coloque em risco parte significativa da população de países, principalmente entre os mais pobres, chegam cada vez mais perto no tempo. Proximidade que leva muitos, principalmente entre os mais jovens, à distopia de que no passado o futuro era melhor.
Diante de tantos retrocessos que vêm acontecendo nas relações internacionais e na configuração de uma nova ordem mundial voltada para interesses da humanidade, seria ingênuo imaginar que estamos próximos de uma consenso global sobre as emergências climáticas. Se as chances de enfrentamento dessa emergência no atacado são baixas, o que fazer?
Primeiro, continuar insistindo em medidas que contemplem as ameaças com a maior abrangência possível. Segundo, buscar implementar políticas nacionais, estaduais e locais que contemplem o enfrentamento da emergência climática.
Enfrentamento que em escala municipal pode se dar com medidas que diminuam o uso de combustíveis fósseis e de outras fontes de energia que são reconhecidamente insustentáveis ambientalmente. Entre essas medidas, uma de custo baixo e com eficácia comprovada em vários lugares é a de priorizar o uso de transporte público de passageiros, o compartilhamento de veículos automotores e de bicicletas no transporte individual
Priorizar o uso de transporte público de passageiros pode se dar com medidas simples e de baixo custo, como o de reservar para uso exclusivo de ônibus pelo menos uma faixa nas vias por onde hoje passam. Nessas vias também devem ser alargadas calçadas e construídos abrigos compatíveis com o conforto devido a pedestres e passageiros. Em vias paralelas a essas onde aos ônibus será dada prioridade, implantar ciclovias que estimulem o uso de bicicletas na circulação de pessoas pela cidade.
A emergência climática também pode ser enfrentada em nível local se as prefeituras incentivarem e promoverem o plantio de árvores tanto em vias públicas quanto em condomínios, prédios e casas. A promoção de iniciativas dialogadas com a população nesse sentido tem tido resultados bastante positivos onde foram implementadas com uma visão de curto, médio e longo prazos.
Ideias simples e de baixo custo nem sempre são fáceis de serem implantadas em função de interesses estabelecidos. Esses geralmente sustentados por lobbies poderosos como o da indústria do petróleo e o da indústria automobilística. Para esses, qualquer ação política que gere riscos para os lucros continuados de seus acionista é uma ameaça que passa a ser enfrentada, por um lado, com pressão junto a autoridades constituídas. Por outro, com propaganda enganosa direta ou indiretamente veiculada pelos grandes canais de comunicação e pelas redes sociais.
Diante dessas constatações que emergem da análise de experiências mundo afora, vale pensar que um bom momento para a ação coletiva local em torno de medidas que atentem para a emergência climática sejam as eleições municipais. Para além de propostas genéricas, repetidas e pouco criativas que permeiam as campanhas para vereador e prefeito, nos pleitos municipais desse ano deveria ser cobrado dos candidatos o que pensam e como pretendem enfrentar em seus mandatos a emergência climática.
Como esse enfrentamento se dará no bairro onde farão campanha e qual a estratégia para que ele se dê na cidade como um todo. Como entendem se dará a articulação entre o poder público e a sociedade civil (PPSCs) e a iniciativa privada (PPPs). Como se darão projetos de cooperação com municípios vizinhos, com os governos estadual e federal?
Pensar em uma agenda local de enfrentamento da emergência climática pode ser um bom começo para mobilizar politicamente a população para algo que pode ser portador de futuro. Futuro que está sendo subtraído principalmente dos mais jovens que merecem respirar ares diferentes das distopias nossas de cada dia.