As mudanças climáticas têm ocasionado graves consequências na vida das pessoas, interferindo diretamente no cotidiano. Ciclones que causam destruição e mortes. Avanço das águas do mar pela costa do país. Tempestades que deixam cidades inteiras sem energia. As altas temperaturas têm tido destaque nas últimas semanas, com ondas de calor que passam dos 50 graus, o que é insuportável para a espécie humana. Quanto a essa última, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), as temperaturas tendem a alcançar 5 graus acima da média do Sudeste e Centro-Oeste Brasil.
Essas alterações, que afetam gravemente as cidades e mudam a vida das pessoas, não devem ser recebidas com surpresa, ou como uma fúria da natureza imotivada da natureza. Estamos colhendo o que plantamos. Durante décadas produzimos uma destruição do meio ambiente, afetando as condições da mãe terra, na ilusão que a “fatura” não iria chegar.
No afã de produzir lucro desenfreado e buscar uma incontrolável condição de conforto e bem-estar individual, ignorando as condições naturais do planeta em que vivemos, fomos construindo nosso inferno que afeta o coletivo.
Toda a exortação realizada pelos movimentos ambientalistas e povos originários foi ignorada, no que tange à preservação do meio ambiente como uma necessidade de sobrevivência da espécie humana. Diante disso, a conta está chegando. Contudo, não chega da mesma forma para todas as pessoas. E assim a crise climática é também, uma crise de direitos humanos. Isso porque, nem todo mundo vai passar “sufoco” da mesma forma, pois os maiores responsáveis por despejar CO² na atmosfera vivem no “fresquinho”.
As intempéries do tempo castigam com mais força as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social e econômica. O frio e o calor atingem de forma diferenciada a pele das pessoas a depender da classe social. Proteger-se e se alimentar: essas são duas etapas vitais para o ser humano fazer uma travessia dessa importância e nesse momento.
De acordo com a Oxfam Internacional, as 125 pessoas mais ricas do mundo emitem um milhão de vezes mais gases poluentes do que uma pessoa de renda média, são mais de 393 milhões de toneladas de CO² por ano. Conclusão: pouquíssimos ganham, bilhões de pessoas pagam com seus direitos.
Os modelos de produção e de viver devem ser corrigidos, considerando que as previsões já começam a se materializar. Estamos em um tempo em que a natureza deve ser protegida contra os danos causados pela humanidade, mas também de uma natureza que já demonstrou que é capaz de incomodar, de uma vez por todas, nossos saberes e nossas vidas.
Urge uma mudança rigorosa na implementação de regulamentos mais robustos para monitorar e relatar emissões de gases de efeito estufa das grandes empresas, imediata responsabilização das violações e danos, taxação das riquezas e investimentos das industrias poluentes, visando o financiamento da transição para energias renováveis. Que a adoção de práticas sustentáveis de vida deixe de ser narrativas etéreas mercadológicas e se convertam atitudes individuais e coletivas. Caso contrário, o que está ruim vai piorar.