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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Jovem para sempre: Mú Carvalho apresenta "Alegrias de Quintal"

Produtor volta ao mercado fonográfico com disco em que recicla repertório autoral antigo, sem deixar de trazer inéditas

Publicado em 08/09/2021 às 09h10
O produtor Mú Carvalho
O produtor Mú Carvalho. Crédito: Martin Ogolter / Divulgação

Hoje iremos ao palco do produtor (sem essa de que músico não sabe administrar seus trabalhos), tecladista, compositor e um ótimo cantor Mú (Mauricio) Carvalho, que está lançando "Alegrias de Quintal". Conheço-o desde os anos 1980, quando o MPB4 o convidou e a outros jovens instrumentistas, dentre eles o contrabaixista Dadi, irmão de Mú, para gravar o nosso CD "Vira Virou".

Só depois conheci seus outros irmãos (a família é pura música), o saudoso produtor Sérgio Carvalho e a querida pesquisadora de MPB Heloísa Tapajós. Havia quem brincasse dizendo que "Lozinha é irmã da música popular brasileira". Deixaram-nos cedo. Fazem falta.

A tampa abre com um instrumental do sucesso "Alegrias de Quintal" (Mú Carvalho), que também nomeia o álbum independente do mesmo nome. Para gravar seu primeiro CD autoral, Mú convidou três craques: Júlio Raposo (guitarras), Lancaster Lopes (contrabaixo) e Pedro Mamede (bateria).

"Sapato Velho" (Mú Carvalhol, Claudio Nucci e Paulinho Tapajós) é outro grande sucesso de Mú - com seus parceiros de fé, Claudio Nucci e Paulinho Tapajós (um saudoso amigo) - e tem duas versões no CD: uma instrumental e outra que até hoje nos encanta ouvir.

A intro é ad libitum (que pode ser repetida quantas vezes o intérprete quiser). O teclado esbanja perfeição. Logo a harmonia aponta para a melodia original da música. A batera vem no contratempo. E o quarteto arrasa no arranjo (todos no CD são de Mú), que volta a ser ad libitum. Em duo com Mú, Zé Renato, outra grande e especial presença, está cada vez cantando melhor... Meu Deus!

"A Voz de Um Amigo" (Mú Carvalho, Jonas Myrin e Tuca Oliveira) é luminosa. Dividindo o canto com Mú, Tuca Oliveira é importante reforço na puxada do baião arretado. O caxixi segura o lance, enquanto guitarra e baixo revelam a melodia que a harmonia engalanou. Noutro duo vocal, as vozes de Mú e Tuca abrem em terças.

"Magia Tropical" (Mú Carvalho e Evandro Mesquita) quebra tudo. A voz de Evandro Mesquita reforça a alegria – Mú e Evandro serão jovens para sempre. O baixo segura a parada, enquanto a guitarra repete um acorde. Logo o teclado volta à cena para improvisar e novamente se divertir sendo maneiro.

"Simplesmente Pode Acontecer" (Mú Carvalho e Tuca Oliveira) tem intro sacudida, que leva o teclado a notas agudas. Em outro bom duo, desta vez com a voz afinada de Ana Zingoni, Mú revela discernimento e bom-gosto.

"Swingue Menina" (Mú Carvalho e do saudoso Moraes Moreira) é um reggae que traz à cena uma das muitas virtudes de Mú: a capacidade de criar levadas pop.

PS. Morreu o produtor de discos JC Botezzeli, um gigante a resguardar a música brasileira. Com sua partida, perdemos um incansável gerador de álbuns seminais, como os de Adoniran Barbosa e Cartola. Descanse em paz, imenso Pelão.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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