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Dicas do Aquiles

Jovem para sempre: Mú Carvalho apresenta "Alegrias de Quintal"

Produtor volta ao mercado fonográfico com disco em que recicla repertório autoral antigo, sem deixar de trazer inéditas

Publicado em 08 de Setembro de 2021 às 09:10

Públicado em 

08 set 2021 às 09:10
Aquiles Reis

Colunista

Aquiles Reis

O produtor Mú Carvalho
O produtor Mú Carvalho Crédito: Martin Ogolter / Divulgação
Hoje iremos ao palco do produtor (sem essa de que músico não sabe administrar seus trabalhos), tecladista, compositor e um ótimo cantor Mú (Mauricio) Carvalho, que está lançando "Alegrias de Quintal". Conheço-o desde os anos 1980, quando o MPB4 o convidou e a outros jovens instrumentistas, dentre eles o contrabaixista Dadi, irmão de Mú, para gravar o nosso CD "Vira Virou".
Só depois conheci seus outros irmãos (a família é pura música), o saudoso produtor Sérgio Carvalho e a querida pesquisadora de MPB Heloísa Tapajós. Havia quem brincasse dizendo que "Lozinha é irmã da música popular brasileira". Deixaram-nos cedo. Fazem falta.
A tampa abre com um instrumental do sucesso "Alegrias de Quintal" (Mú Carvalho), que também nomeia o álbum independente do mesmo nome. Para gravar seu primeiro CD autoral, Mú convidou três craques: Júlio Raposo (guitarras), Lancaster Lopes (contrabaixo) e Pedro Mamede (bateria).
"Sapato Velho" (Mú Carvalhol, Claudio Nucci e Paulinho Tapajós) é outro grande sucesso de Mú - com seus parceiros de fé, Claudio Nucci e Paulinho Tapajós (um saudoso amigo) - e tem duas versões no CD: uma instrumental e outra que até hoje nos encanta ouvir.
A intro é ad libitum (que pode ser repetida quantas vezes o intérprete quiser). O teclado esbanja perfeição. Logo a harmonia aponta para a melodia original da música. A batera vem no contratempo. E o quarteto arrasa no arranjo (todos no CD são de Mú), que volta a ser ad libitum. Em duo com Mú, Zé Renato, outra grande e especial presença, está cada vez cantando melhor... Meu Deus!
"A Voz de Um Amigo" (Mú Carvalho, Jonas Myrin e Tuca Oliveira) é luminosa. Dividindo o canto com Mú, Tuca Oliveira é importante reforço na puxada do baião arretado. O caxixi segura o lance, enquanto guitarra e baixo revelam a melodia que a harmonia engalanou. Noutro duo vocal, as vozes de Mú e Tuca abrem em terças.
"Magia Tropical" (Mú Carvalho e Evandro Mesquita) quebra tudo. A voz de Evandro Mesquita reforça a alegria – Mú e Evandro serão jovens para sempre. O baixo segura a parada, enquanto a guitarra repete um acorde. Logo o teclado volta à cena para improvisar e novamente se divertir sendo maneiro.
"Simplesmente Pode Acontecer" (Mú Carvalho e Tuca Oliveira) tem intro sacudida, que leva o teclado a notas agudas. Em outro bom duo, desta vez com a voz afinada de Ana Zingoni, Mú revela discernimento e bom-gosto.
"Swingue Menina" (Mú Carvalho e do saudoso Moraes Moreira) é um reggae que traz à cena uma das muitas virtudes de Mú: a capacidade de criar levadas pop.
PS. Morreu o produtor de discos JC Botezzeli, um gigante a resguardar a música brasileira. Com sua partida, perdemos um incansável gerador de álbuns seminais, como os de Adoniran Barbosa e Cartola. Descanse em paz, imenso Pelão.

Aquiles Reis

Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

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