ASSINE
Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

A dupla e o gênio: Augusto Martins e Paulo Malaguti celebram Aldir Blanc em disco

"Como Canções e Epidemias" conta com 14 músicas, que trazem em si a marca registrada de um grande músico

Publicado em 24/08/2021 às 16h07
Paulo Malaguti Pauleira e Augusto Martins abordam no disco parcerias menos badaladas de Aldir Blanc com Edu Lobo e Sombra
Paulo Malaguti Pauleira e Augusto Martins abordam no disco parcerias menos badaladas de Aldir Blanc com Edu Lobo e Sombra. Crédito: Felipe Varanda / Divulgação

Do samba ao hip-hop, a música popular brasileira tem quem a represente. No boteco, a caixinha de fósforos marca o ritmo; as moedinhas, a porrinha. A cerveja mata a sede de anteontem. O torresmo põe-gosto; a “dolorosa” tira do sério; nos blocos, o samba é tudo; na sexta, o couro come; de madrugada, as músicas nascem.

Até aqui divaguei. Agora me prenderei a um cara cuja cara tem a própria feição do carioca: Aldir Blanc. Ele é um carioca de todo o Rio de Janeiro. Suas letras representam o que há de melhor no linguajar, na picardia e na alegria de viver.

Perdoem-me o pessimismo, mas eu sinto que não há mais alegria no dia a dia do carioca. Também não é pra menos: pandemia, políticos ladrões, violência, tudo faz com que a melancolia pareça que veio para ficar. "Tristeza, por favor vá embora/ Minha alma que chora", parecem cantar os cariocas em trens, ônibus e metrôs abarrotados.

Aldir Blanc tem o som das palavras na ponta da língua. Em parceria com alguns dos nossos melhores compositores, brotaram versos de profunda simplicidade, bem como rimas admiráveis e temas surpreendentes de um arguto cronista de personagens incomuns e de cenas inesperadas. Reconhecido o seu talento, inúmeros de seus contemporâneos se atiraram de cabeça em seu universo. Mergulhos que vão ao fundo do poço e voltam à tona ainda mais conscientes do que seja o mundo dos cariocas, do povo brasileiro e de Aldir Blanc.

Pois bem, hoje, uma dupla de alta rodagem voltou a se encontrar para reverenciar Aldir: o cantor Augusto Martins e o pianista Paulo Malaguti Pauleira. Juntos, eles reviveram a produção do letrista.

Abrir a tampa do CD "Como Canções e Epidemias" (Mills Records) com “Caça à Raposa” (João Bosco e Aldir Blanc) e fechá-la com “Altos e Baixos” (Sueli Costa e AB), música inédita com participação especial de Zé Renato, dá ideia do lance: catorze músicas por onde Augusto e Pauleira voaram altivos e, lá do alto, se comoveram, assim como aqui embaixo as lágrimas rolaram.

Com bons arranjos para cada música – seja ela pouco ou muito conhecida –, Pauleira expandiu sua capacidade criadora até o máximo de seu talento. Assumindo o DNA da contemporaneidade, as composições trazem em si a marca registrada de um grande músico.

Pauleira traz no piano, Augusto vai no gogó – sua voz tem o lastro de um grande cantor. A emissão das notas é saborosa, com jeito de fruta colhida no pé. As divisões de Augusto, exacerbadas por Pauleira, são de dar gosto. Que dupla!

Apesar dos negativistas, a dupla conquistou o direito de, vez por outra, prestar tributos a símbolos de nossa música. E nós de ouvi-los.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.