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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

A viagem de Crato para o mundo

Colunista comenta sobre "Terramarear", novo álbum de Tiago Araripe

Publicado em 04/08/2021 às 09h12
Tiago Araripe em foto de divulgação para o disco 'Terramarear'
Tiago Araripe em foto de divulgação para o disco 'Terramarear'. Crédito: Líbia Florentino/WCOM

Foi a bordo de um bucho grávido, que entoava músicas, canções ouvidas desde um planeta distante até o sertão nordestino, entoadas por anjos frenéticos e febris querubins que vagam por entre nuvens longínquas. Lembro-me apenas do bucho, pronto para parir... Minto. Ouvi e vi, com esses olhos que a terra há de comer, um estrondo ensurdecedor, seguido de sons instrumentais – música! Ouvi anjos entoando seus cantares. E foi assim, sob um doce aroma de mel com gengibre, que a vida virou música: assim o destino sonorizou o mundo.

Pois foi a bordo de um avião (ou seria num foguete?), ou foi num objeto não identificado, que Tiago Araripe deu de transcrever em pautas as canções que parira para seu novo álbum Terramarear (viabilizado com contribuições solidárias).

Cada música, cada arranjo, me relembravam músicas de Tiago Araripe que um dia ouvi e que hoje marcam o talento de seu criador. Sons de órgão, naipe de sopros, batera, violões de seis, doze e sete cordas, cavaquinho, percussão, guitarras, baixo, gaita, piano, sintetizador, banjo, sampler, acordeom e coro.

Acordes e desenhos com encorpada concepção universal, sempre presente nas músicas de Araripe. Para tanto, ele arregimentou três dezenas de instrumentistas, cinco músicos portugueses, dois músicos africanos (um da ilha da Martinica, o pianista Karlos Rotsen, outra, uma múltipla instrumentista da ilha de Madagascar), Tahina Rahary (produção musical, violão, flauta, congas, palmas e coro) e seis participações especiais: Isadora Melo, Marcos Lessa, Nonato Luiz, Vânia Bastos, Zeca Baleiro e a cantora portuguesa Mara. Uma tripulação de alto nível.

A sonoridade do disco tem momentos irresistíveis. Desde o suingue característico das músicas nordestinas à levada caboverdiana, passando pela beleza da música portuguesa, tudo ali é uma senha que desvenda o álbum de beleza ímpar.

Tiago Araripe se atreveu a encarar o olho do furacão, gerando música a bordo da nave especial com que ele viaja mundo afora.

OUÇA O DISCO ABAIXO

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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