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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Entendendo Caetano Veloso por meio de Arthur Nogueira

Jovem apresenta em disco uma versão contemporânea do trabalho do baiano

Publicado em 27/07/2021 às 12h24
Arthur Nogueira em foto de divulgação do disco
Arthur Nogueira em foto de divulgação do disco "Sucesso Bendito", em que interpreta canções de Caetano Veloso. Crédito: Miro / Divulgação

Hoje é dia do compositor, cantor e violonista paraense Arthur Nogueira. Ele foi convidado para fazer uma live de voz e violão só com canções de Caetano Veloso. 

O sempre antenado DJ Zé Pedro, já prevendo o brilho da visão de Arthur Nogueira sobre a obra do filho de Dona Canô, estimulou a gravação em estúdio do álbum "Sucesso Bendito" (Joia Moderna).

Com canções pouco conhecidas, Nogueira entregou sua alma à música de Caetano, extraindo-a de volta envolta em arte e sentimento. Versão contemporânea de uma produção admirável – desde a concepção até o futuro.

Violão e voz embalados por pausas, affretandos, ad libtuns, acordes cheios, notas soltas, voz sem vibratos, graves afinados... singulares.

Ao ouvir Arthur Nogueira interpretando as canções de Caetano Veloso, emocionei-me e dei de “viajar”. “Viagens” que fiz ao ouvir cada música do álbum.

  1.  "Sucesso Bendito". Enquanto a noite gira, o sol brilha oculto entre laivos de calor: "É bonito, é bonito, é bonito..."

  2. "Pronto Para Cantar". A intro do violão me conduz e traduz. A voz me surpreende e diz que quem canta em inglês sou eu. Ora, eu canto em português. Mas vou e volto. Sigo além, viro ali e vou até mais não poder. Delicada é a voz que a língua divide em duas.

  3. "Drama". O violão me induz a elucidar o intraduzível. Eu vivi o dia em que a dor me ensinou a sofrer, e a deixar passar. Os bordões do violão mostram que nem só de lua se faz a noite. A morte não existe, existe apenas a dor de cada gota de amor que escorre em rostos crispados.

  4. "Força Estranha". Por vezes não canto, declamo. Às vezes faço que canto, mas não canto, sopro as notas, alongando-as. Confesso que sei que o amor é da cor de uma jabuticaba. Cheiro, gosto, visão, tudo está para sempre em meu cantar. A ele entrego o meu dia a dia: "Cantar, cantar, cantar, cantar..."

  5. "Eu Te Amo". A solidão me induz a procurar o destino traçado no palco onde a atriz mente ao gritar que não sente o gosto da cajuína. “Boneca de Piche”, por que que será que eu ainda existo?

  6. "Giulietta Masina". "Lua, lua, lua, lua..." O drama afaga o deserto. A ele dou adeus, lamentando por cada verso que não me fez chorar.

  7. "Tempestades Solares". A introdução não vem. O canto vem. Salve ela, a música. Uma tragédia assombra as ruas, a pandemia, e pra música dá adeus.

  8. "Menino Deus". Daqui eu vejo um menino triste, a lamentar que aquele enorme vazio grita: “Esse oco está cheio de dor”.

  9. "Estou Triste". Lá do alto do fundo do poço, a tristeza guarda o seu lugar na vida.

  10. "José": O menino triste tem sede. Maria e José rezam por água e comida.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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