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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Passando a limpo o baião do novo disco da Banda De Pau e Corda

Missão do Cantador (Biscoito Fino) chega após décadas sem o sexteto lançar um álbum de inéditas

Publicado em 24/07/2021 às 11h02
Banda Pau e Corda
Banda Pau e Corda. Crédito: Estúdio Orra

Há décadas sem gravar um álbum com músicas inéditas, agora com nova formação, a Banda de Pau e Corda lança Missão do Cantador (Biscoito Fino). Pernambucana, segue embalada pela diversidade de ritmos e sons brasileiros.

Ao revigorar o repertório, o sexteto – formado por Sérgio Andrade (voz e vocal), Júlio Rangel (viola e vocal), Yko Brasil (flauta), Zé Freire (arranjo, violão e vocal), Sérgio Eduardo (contrabaixo) e Alexandre Barros (pandeiro, bateria, surdo e vocal) – atualiza seu olhar sobre a música nordestina.

A cada faixa de Missão do Cantador, com gêneros diversos, por vezes a sonoridade de cada um pode confundir o ouvinte, levando-o a achar que tudo é baião; tudo é frevo.

Pois bem, mandei um e-mail para Zé Freire (um dos integrantes da Banda de Pau e Corda) pedindo-lhe que apontasse o gênero de cada música. A resposta: “Essa missão é difícil, cara. Pra algumas músicas, na verdade... vou tentar uma opinião do grupo todo”.

Veio o esclarecimento: "'Missão do Cantador' (Sérgio Andrade) é um... baião. Na intro, a viola ponteia, a flauta vem pra roda, juntos vão à melodia. A batera embala. O ritmo traz o baião. Os cantos vocais vêm em duo. A letra traz versos engajados: (...) Eu vou onde tenho que ir/ Onde tem gente precisando ouvir/ Porque na voz do cantador/ Tem água pra matar a sede/ Tem pão pra matar a fome/ Tem chave pra guardar segredo/ E abrigo pra quem não tem nome (...)".

Segundo a banda, os gêneros musicais são múltiplos. Por exemplo, “Estrela Cadente” (Waltinho e Sérgio Andrade) é um arrasta pé, com participação especial de Mestre Genaro. Quanto a “Sonho Interior” (Sérgio Andrade), bem-humorados, eles confessam: “Ninguém sabe...”

"Tudo Num Balaio Só" (Natan Marques e Murilo Antunes) tem participação especial de Zeca Baleiro. "Segundo o compositor, o original é uma 'catira' (ou 'cateretê'), que transformei em baião, com um trecho de maracatu", diz Zé Freire.

"Sinais"" (Sérgio Andrade) é uma balada. "Guardador de sonhos" (SA), um baião. "Fogo de Braseiro" (SA) é um baião tipo banda de pífanos, com participação especial de Chico César (voz) e Alexandre Rodrigues (pífano) e uma música incidental, "A Briga do Cachorro Com a Onça" (Sebastião Biano).

"Desvario" (SA) é um xote; "Se ou Sê" (SA e Rafael Mouro) é uma valsa: (...) E se no fim eu for assim/ Como sonharam (...); "Sem Fim"' (SA), outra valsa.

"Sonhadora" (Waltinho e SA), uma modinha; "Força Oculta" (Waltinho e SA) é um Ajujah, com participação dos autores; "Quer Mais o Quê?" (Marcelo Rangel) é um frevo-canção, com participação do autor.

Missão do Cantador é onde o Nordeste pulsa, o instrumental é marcante e as vozes íntegras, louvadas na diversidade de gêneros.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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