Surgem luzes no final do túnel. A
pandemia é contida em alguns países, desacelera em outros e avança no Brasil. O desconhecimento e a ignorância sobre este vírus inédito diminuem. Os cientistas, pesquisadores e gestores públicos vão encontrando saídas, num aprendizado do tipo “ensaio-e-erro”.
Entre a experiência da China no combate à pandemia, por um lado, e a experiência da Suécia, por outro lado, surge um “continuum” de situações regionais específicas. Tudo isto permite encontrar resultantes adequadas para cada país, para além da polarização e dicotomia do “abre ou fecha”.
Felizmente, este aprendizado cresce aqui no Brasil também. Os gestores públicos começam a tentar diminuir as incertezas com planejamento e rumo. Isto é fundamental para atenuar a melancolia, o medo, o pânico, a depressão, o sofrimento e a fome da população. Planejamento, coordenação e rumo. Superar a guerra do abre contra o fecha.
São Paulo acaba de anunciar um plano de reabertura em cinco fases, diferenciado por microrregiões do Estado. Flexibilidade e regionalização. Com monitoramento baseado em indicadores como capacidade hospitalar, evolução da disseminação e outros. Com sistema mais rígido na Região Metropolitana. Uma transição começa na semana que vem. A primeira etapa vai vigorar por 15 dias. O governador João Doria vai monitorar diariamente a evolução: “Se tivermos de dar um passo atrás, não hesitaremos em fazê-lo”. Ao apontar um horizonte delineado em fases, um planejamento como este diminui muito a falsa dicotomia saúde “versus” economia.
Também está no horizonte o progresso das pesquisas para a vacinação e imunização. Estima-se que até o final de 2021 poderá ser possível fabricar uma vacina. Além do progresso nas vacinas, deverá haver avanço na área do diagnóstico e testes. E, por último, avanços também no campo de medicamentos antivirais.
Para Bill Gates, todas as três tecnologias (vacina, testes e remédios antivirais) “nos preparam para a próxima pandemia, permitindo-nos intervir cedo, quando o número de casos ainda é muito baixo”. É por isso que no próximo ano os pesquisadores médicos estarão entre as pessoas mais importantes do mundo, afirma Gates. A Merck, por exemplo, está desenvolvendo pesquisas para uma vacina.
O que virá depois? Muito já se escreveu, e muito ainda se escreverá, sobre a humanidade pós-pandemia. Ela será um vetor de transformação? Não está claro ainda. É uma experiência compartilhada por sete bilhões de pessoas. Sérgio Besserman foi cirúrgico ao afirmar que essa experiência “talvez seja capaz de expor os desafios pela frente e, ao gritar que o rei está nu, tornar impossível que a negação prevaleça, alargando a consciência do Sapiens em sua jornada rumo ao futuro sempre incerto”.